Um estudo apresentado pela geóloga Isabella Gontijo Souza Soares durante o SIMEXMIN 2026 trouxe novos avanços para a compreensão geológica do depósito Morro do Ouro, em Paracatu-MG, e pode contribuir para a descoberta de novas áreas mineralizadas na região.
A pesquisa demonstra como análises petrográficas e estruturais mais detalhadas das rochas hospedeiras estão permitindo à Kinross Gold aperfeiçoar seus modelos de exploração mineral. O objetivo é identificar com maior precisão os corredores geológicos mais favoráveis à concentração de ouro e, consequentemente, ampliar o potencial de recursos do maior complexo aurífero em operação no Brasil.
Segundo Isabella, o principal desafio atual é aumentar a vida útil da mina, que já produziu aproximadamente 12 milhões de onças de ouro desde o início das operações.
O depósito de Paracatu é classificado como um sistema de ouro disseminado de baixo teor, com média de cerca de 0,4 grama de ouro por tonelada de rocha. A mineralização ocorre principalmente em sulfetos disseminados nos filitos carbonosos da Formação Paracatu.
Embora essas rochas aparentem grande uniformidade em campo, os estudos revelaram diferenças importantes entre os tipos de filitos presentes na área mineralizada. A equipe identificou novas classificações litológicas, incluindo os chamados filitos bandados e filitos laminados, que apresentam maior porosidade e preservam estruturas sedimentares capazes de favorecer a circulação dos fluidos hidrotermais responsáveis pelo transporte e deposição do ouro.
De acordo com o estudo, os filitos bandados e laminados formam corredores de clareamento facilmente identificáveis em afloramentos e testemunhos de sondagem, tornando-se importantes guias para a exploração mineral. Em contrapartida, os filitos mais maciços atuam como barreiras naturais à circulação dos fluidos mineralizantes.
A pesquisa também aprofundou o entendimento sobre a evolução mineralógica associada ao processo hidrotermal. A presença de pirita e arsenopirita, minerais intimamente ligados à ocorrência de ouro em Paracatu, mostrou forte relação com as alterações progressivas das rochas e com o consumo de minerais ricos em ferro durante a mineralização. A identificação desses estágios evolutivos permite reconhecer zonas com maior potencial aurífero.
Outro aspecto destacado foi a influência das estruturas tectônicas na formação do depósito. Os resultados indicam que a mineralização está relacionada à interação entre estruturas de cavalgamento e falhas transcorrentes, que geraram zonas de levantamento estrutural capazes de concentrar os fluidos mineralizantes. Esses domínios passaram a integrar os principais alvos das campanhas de exploração.
Os resultados reforçam a importância da integração entre estudos petrográficos, estruturais e mineralógicos para ampliar o conhecimento sobre o depósito Morro do Ouro e abrir novas perspectivas para a exploração mineral em Paracatu.
Fonte: Estadão Conteúdo

