Reinventar o mundo: a urgente incumbência da humanidade

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A crise da civilização contemporânea se manifesta na perspectiva econômica, social, política é, concomitantemente, fruto da violência e geradora da desconfortante sensação de insegurança para a humanidade. Basta olharmos à nossa volta para concluirmos que os valores éticos e morais perderam o sentido. O nosso congresso nacional, por exemplo, está repleto de corruptos, que se sentem no direito de julgar e condenar outros corruptos. Dos sessenta e cinco componentes da comissão do impeachment na câmara dos deputados, pelo menos oito são investigados por corrupção, por isso, para o bem da verdade, não deveriam nem mesmo fazer parte do congresso nacional.
Além da grave crise política, a violência é outro fator preponderante no processo de esvaziamento permanente do sentido da humanidade. É verdade que a corrupção já é uma grave forma de violência contra o ser humano, pois tão grave quanto a agressão praticada pelos chamados terroristas dos atentados na França ou na Bélgica ou pelos protagonistas dos homicídios, roubos e barbáries que fazem de Paracatu a segunda cidade mais violenta do Estado de Minas.
Com o propósito de buscar alternativas para a crise dos fundamentos da civilização atual, Jean-Claud Guillebaud, na obra, A reinvenção do mundo: um adeus ao século XX, chama a atenção para a necessidade de uma profunda reflexão sobre o futuro da civilização. Para tanto, propõe alguns questionamentos que auxiliam na leitura da realidade atual: “porque é necessário reinventar o mundo?” O que é possível fazer para a construção de uma sociedade pacífica e fraterna? Quais são os alicerces para um projeto emancipatório viável e coerente? O que é necessário para o enfrentamento das crises mais profundas em que nosso mundo se encontra?
Guillebaud aponta a falta de manutenção de valores e princípios éticos norteadores da vida em sociedade como um motivo preponderante para o desencadeamento da crise da humanidade. Ele afirma ainda que “sem filiação a uma história e sem transmissão de uma tradição, a humanização é inimaginável”. Tal rompimento descaracteriza a humanidade e tira-lhe os principais referenciais valorativos, além de extorquir-lhe a sua essência.
Posto isto, há que se idealizar referenciais valorativos que inspirem um novo sentido para a humanidade. Mas onde buscar as certezas necessárias, capazes de indicar caminhos para a construção de um novo projeto civilizatório? O maior desafio é aprimorar a capacidade de identificar sinais positivos que merecem ser evidenciados. Por isso, a necessidade de pontuar alguns pilares essenciais da civilização contemporânea, que, segundo o autor, são: 1) a compreensão do tempo como progresso e fonte de esperança no futuro promissor (judaísmo); 2) a ideia de indivíduo e de igualdade proposta pelo cristianismo; 3) o conceito de razão crítica e emancipatória dos gregos; 4) a imagem do universo conforme a concepção dos povos helênicos; 5) o entendimento de justiça e dignidade humanas, dos pensadores iluministas; 6) o valor da democracia, concebida como princípio de convivência humana e da relação interpessoal.
Esses fundamentos são heranças valorosas e ajudam questionar a lógica do sistema que continua a produzir cada vez mais injustiças sociais, na busca incessante de possíveis saídas para reinventar a humanidade.
 

* Mestre em Ciências da Religião pela PUC Minas. Especialista em Pedagogia Empresarial pela FINOM. Licenciado em Filosofia pela PUC Minas. Atualmente é Diretor Acadêmico da FINOM.

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