Essa greve dos servidores públicos municipais de Paracatu trouxe tumultos. Mas tem diversos pontos positivos. Primeiro, como observou um competente advogado que milita na comarca, ela detonou a discussão do Brasil sobre os altos salários que, sem alarde, vinha recebendo os prefeitos do interior. Depois, tem a questão dos servidores contratados, aqui e alhures. Cada prefeito eleito nomeia amigos e companheiros políticos, pagando a eles altos salários. O servidor profissional, concursado, competente ou não, fica a ver navios. Afinal, o mandatário de plantão, quase sempre, já gastou, principalmente com apadrinhados, percentual das receitas próximo do máximo tolerado com despesas de pessoal. Se gastou quase tudo com os seus caciques, como ouve o clamor dos índios comuns?
A reivindicação dos servidores de Paracatu é justa? É, sim! A classe está no sufoco. Ninguém atentou para o detalhe, mas o custo de vida na cidade, seguramente, é o maior desta e de muitas outras de minas. Como botar arroz, o feijão e a simples carne de segunda moída na mesa, recebendo vencimentos inferiores ao salário mínimo nacional, ainda que completados com um prometido abono, que pode ser retirado “a posteriori”?
Outra lição que emerge da crise: a imagem política do Prefeito Vasquinho está indo pro brejo. No seu primeiro mandato, ele foi um mandatário aberto ao diálogo, paciente, compreensivo, respeitador. Essa faceta de bom rapaz foi competentemente difundida por seu assessor de comunicação social, Flávio de Sá – a quem Vasquinho e sua troupe, que acham que comunicação social se resume a uma barulhenta corneta propagandística, simplesmente ignoraram. Estão pagando caro por isso. E o barulho das cornetas dá mostra de ser impotente diante do clamor surdo, que começa com os servidores, mas vem ganhando corpo na sociedade com um todo.
Parece que, a Vasquinho, só sobram duas alternativas. A primeira: dar uma enxugada radical no quadro de ocupantes de confiança – o que significa demitir amigos e companheiros, mas também representa cortar gastos e arranjar um jeito de melhorar a vida dos servidores profissionais; segunda: não fazer nada disso, optando pela pressão ou por tentar vencer os grevistas pelo cansaço. Aí, adeus imagem do bom rapaz, que seduziu o eleitorado de Paracatu e escreveu ser nome na história da cidade como o primeiro prefeito reeleito. Por qual caminho optará Vasquinho? De que forma irá ele querer que o seu nome seja escrito na história?…