27 mai 11h02

A Estação do Telégrafo em Paracatu: Mensagens de outrora

Por: Carlos Lima (*Arquivista)


Funcionava alí na movimentada Rua de Goiazes (hoje rua Goiás!), precisamente na antiga residência do Professor Olímpio Gonzaga, conforme aponta o escritor Antônio de Oliveira Mello em seu livro Paracatu do Príncipe: Minha Terra (1978),  a importante Estação de telégrafos de Paracatu, por meio da qual mensagens iam e vinham com os assuntos de interesse de seus interlocutores diversos.

A inauguração da estação do Telégrafro Federal ocorrera aos 2 de dezembro de 1917, como destaca o Presidente da Câmara Municipal Henrique Tiberê em seu relatório datado de fevereiro de 1918: “[…]poderoso élo da unidade nacional a pôr-nos em contacto contínuo e mais directo com os grandes centros cultos do paiz”. E acrescenta o empenho de outras autoridades na conquista daquele grande melhoramento: “nossos agradecimentos aos Exmos. Srs. Drs. Wenceslau Braz e Delfim Moreira, Presidente da República e do Estado e ao nosso caríssimo patrício e eminente representante na Câmara Federal, o Exmo. Sr. Afrânio de Mello Franco[…]”.

Consta dos fundos documentais da Câmara e da Prefeitura de Paracatu, incomensurável acervo de telegramas e radiogramas conservados sob os auspícios do Arquivo Público Municipal. Num passeio pelos referidos documentos verificam-se as mais diversas tratativas, especialmente sobre assuntos de relevância e interesse públicos.

Em telegrama de nº 775 datado de 24 de setembro de 1918, proveniente de Belo Horizonte, o Delegado Fiscal Flaviano Fontes reporta-se ao Presidente da Câmara de Paracatu com a seguinte mensagem: “[em] nome [da] junta [de] alimentação pública peço Vossa Exca. auxiliar collector federal na organização [da] tabela [de] preços primeira necessidade”. Ao que se pode inferir, tratava-se aquela correspondência de controle sobre os preços de gêneros alimentícios de primeira necessidade postos à venda à população.

Já no radiograma de nº 141 com origem em Pirapora e com data de 24 de maio de 1939, o então Prefeito de Paracatu Romualdo Ulhôa Tomba é comunicado pelo Diretor da Navegação Mineira José Antônio Saraiva sobre a partida do vapor: “Vapor Paracatu zarpará hoje às 15 ho
ras[com] destino a Paracatu, a carga destinada [ao] prezado amigo já está embarcada”. Essa correspondência remete à navegação pelos rios São Francisco e Paracatu na primeira metade do século passado.

A tão sonhada linha aérea que pudesse encurtar as distâncias do interior com a capital mineira também está lá nos telegramas do Fundo Prefeitura, conforme se constata na mensagem de nº 2455 transmitida em 28 de agosto de 1947 às 20h30, onde se lê que o “transporte aéreo nacional realizará viagem [de] experiência [de] linha [de] passageiros, sábado dia 30, devendo chegar [a] Paracatu [às] 12h40”.  O radiograma contém ao seu rodapé a sigla OMTA, que significa Organização Mineira de Transportes Aéreos.

A prevenção à peste suína no Noroeste de Minas também se encontra registrada nos documentos investigados.  No radiograma de nº 72, de 23 de setembro de 1947 às 22h30, o médico veterinário Aloísio Nogueira escreve ao então Prefeito de Paracatu [Dr. Antônio Ribeiro]: “Secretário [de] Agricultura deseja estabelecer cordão sanitário [nos] municípios não atacados [pela] peste suína, peço-vos informeis qual colaboração seu município poderá prestar. Far-me-á grande favor transmitir [ao] Prefeito [de] Unaí idêntico”.

A expansão do serviço de telégrafo também era tratado através daquelas correspondências de outrora entre os agentes públicos. No telegrama de nº 577403 transmitido provavelmente no ano de 1961, seu emissor Sr. Manoel Almeida comunica ao Prefeito Wladimir da Silva Neiva que “apresentei [ao] orçamento [a] emenda [para] construção da linha telegráfica Paracatu-Unaí [no valor de] três milhões” [de cruzeiros].

De acordo com CAMARGO (2018) a exploração dos serviços telegráficos fora incorporada à Diretoria-Geral dos Correios em 26 de dezembro de 1931, conforme decreto nº 20.859, de modo a tornar extinta a Repartição-Geral dos Telégrafos (departamento ao qual a Estação de Paracatu estivera inicialmente subordinada).




(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é personalorganizer. Elaborou este artigo a partir de suas pesquisas nos fundos documentais do Arquivo Público de Paracatu – MG.



REFERÊNCIAS
CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Relatório do Presidente da Câmara. 15 Fev. 1918. 5 fls.
CÂMARA MUNICIPAL DE PARACATU. Radiograma nº 141. 24 Set. 1918. 1fl.
CAMARGO, ANGÉLICA RICCI. Repartição-Geral dos Telégrafos (1889-1931). MEMÓRIA DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA BRASILEIRA, 2018.  Disponível em: <http://mapa.an.gov.br/index.php/dicionario-primeira-republica/565-reparticao-geral-dos-telegrafos&gt;. Acesso em: 25 maio 2021
PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Telegrama nº 775. 24 Maio. 1939. 1fl.
PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Radiograma nº 2455. 28 Ago. 1947. 1fl.
PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Radiograma nº 72. 23 Set. 1947. 1fl.
PREFEITURA MUNICIPAL DE PARACATU. Radiograma nº 577403. 11 Jun. [1961?]. 1fl. MELLO, Antônio de O. Paracatu do Príncipe: Minha Terra. Paracatu: Prefeitura Municipal de Paracatu, 1978. 144p.
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