26 jul 2010 20h14

Documentos dos séculos XVIII e XIX são restaurados no Arquivo Público de Paracatu

Processos de inventário, justificação de casamento, autos de seqüestro de bens, justificação de sepultura são algumas das raridades que estão sendo restauradas no Arquivo Público Municipal, com o objetivo de garantir maior longevidade aos documentos e proporcionar aos interessados na pesquisa histórica, o direito de acesso às fontes primárias.

A documentação, que data do período compreendido entre 1723 e 1800 e que já esteve abandonada nos porões da Santa Casa de Misericórdia, em Paracatu, sofrera todo tipo de intempérie, como goteiras, poeira, umidade e a ação de insetos como térmitas (cupins) e traças-de-livro. Em alguns itens, pelo menos 30% do suporte (papel) e da escrita foram destruídos devidos aos fatores mencionados. É possível constatar ainda a fragilidade apresentada por diversos manuscritos, que quando manuseados soltam fragmentos de sua composição, o que só acelera o processo de sua degradação.

O quadro em que se encontravam tais documentos, classificados ou arranjados (termo técnico da Arquivologia) sob a forma de Fundo Tribunal Eclesiástico (espécie de miniatura do Tribunal Inquisitorial, que cuidava da ordem moral e religiosa), exigia do Arquivo Público uma solução a curto ou médio prazo, o que veio a acontecer a partir do Projeto de Higienização e Restauração dos Manuscritos do Século XVIII, elaborado pelo arquivista da instituição Carlos Lima e orçado em R$ 12.000,00, que obteve apoio financeiro em 2009 do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), com sede no Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com o Diretor-Presidente do IAB, Ondemar Dias, que já houvera pesquisado nos registros em questão, o que lhe despertou o interesse em apoiar a restauração desse acervo foi o fato de tais documentos constituírem-se também como artefatos arqueológicos, portanto, fundamentais para a compreensão da dinâmica social.

Com o recurso do projeto foram adquiridos materiais específicos para o restauro de documentos, como papel japonês, cola neutra, papel neutro para acondicionamento, além de modernos equipamentos que subsidiam todo o processo de execução e que futuramente servirão à digitalização dos manuscritos e de outros itens.

As atividades de diagnóstico, higienização e restauro vem sendo realizadas pela própria equipe do Arquivo Público Municipal, que sob a coordenação do arquivista Carlos Lima, recebe toda a orientação teórica e prática necessária para efetuar os procedimentos de intervenção nos documentos raros conservados na instituição.
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