22 dez 2020 12h00

Memórias do transporte coletivo urbano de Paracatu

Por: Carlos Lima (*Arquivista)


A história do transporte coletivo urbano na cidade mãe do Noroeste de Minas, Paracatu, constrói-se há mais de 60 anos, como um modelo que viria para solucionar a mobilidade entre os bairros e o centro da cidade, de forma sustentável e social.

De acordo com fontes existentes no acervo do Arquivo Público Municipal, a primeira iniciativa na operacionalização de linhas urbanas de ônibus teria acontecido em 1º de abril de 1960, conforme noticiou o jornal A Tribuna de Paracatu em sua capa: “No dia 1º deste foi inaugurada em Paracatu, uma linha de ônibus circular”.

O mesmo jornal ainda destaca a reação, por parte da comunidade, diante da novidade recém chegada: “O acontecimento despertou grande entusiasmo na população, uma vez que o ônibus, um confortável “internacional”, com capacidade para 34 passageiros sentados e 25 em pé, veio beneficiar todos os moradores dos bairros mais distantes do centro e servir toda a zona central da cidade”.

Ainda na referida reportagem, menciona-se o nome do responsável por implantar aquele crucial serviço de transporte público para o desenvolvimento da cidade: “A iniciativa do Sr.
Antonio da Silva Neiva, é digna de elogios, pois, com o seu esforço próprio contribui para dotar Paracatu de um melhoramento de grande valia para o nosso progresso”.  

O itinerário daquele provável pioneiro transporte coletivo urbano fora, segundo a Tribuna de Paracatu, a ligação entre bairros tradicionais e o centro da cidade: “Estação Rodoviária, rua da Abadia, Goiás, Flores e Padre Manoel, Av. Dep. Quintino Vargas e Olegário Maciel. Cemitério; Arraial dos angolas[sic]; largo do Santana e os bairros: Paracatuzinho (aeroporto), Alto do Córrego, Bela Vista e Amoreiras”.  As passagens variavam entre Cr$ 2,00 (para estudantes) e Cr$ 10,00.

Em 1º de Agosto de 1972, o empresário Antônio Reis Araújo registrava junto à Comarca local (processo nº 582 – Arquivo Público Municipal), a Transcar – Transporte Coletivo Araújo, localizada na Rua Padre Manoel, nº 47 no centro de Paracatu.

De acordo com o depoimento no Facebook
Memórias de Paracatu da sobrinha do proprietário da Transcar, Sra. Edione Araujo, “o transporte era feito em uma Kombi com capacidade para 8 passageiros, exceto o motorista. Quando tinha criança, essa ia no colo de alguém. A passagem custava 20 centavos. O itinerário era do centro da cidade até o Paracatuzinho”.

Já a Transpar – Transporte Paracatu Ltda, de propriedade dos
sócios José Maurício Pereira e Dimas Pereira, passara a prestar seus serviços à coletividade paracatuense em setembro de 1984, conforme nota publicada no jornal Mensageiro do Cerrado: ”A população urbana de Paracatu conta, agora, com linha de ônibus regular. O atendimento é feito das 6:00 às 24:00 horas. O itinerário: sai do Paracatuzinho (Posto de Saúde), passando por: rua Dom Serafim, Praça da Matriz, av. Quintino Vargas, Av. Olegário Maciel, rua Joaquim Murtinho, BR-040 e finalizando no Posto Cruzeiro, retornado no mesmo percurso”. Custava a passagem a cifra de 200 cruzeiros a sua época.

Vencedora da licitação para operar o serviço de transporte coletivo urbano no município, a
Viação Sempre Viva, oriunda de Itabira, Minas Gerais, chegara a estas cercanias em julho de 2003, segundo reportagem do Jornal O Movimento daquele ano: “A Sempre Viva passou a fazer o transporte coletivo em Paracatu, após vencer a licitação da única concorrente – A Transpar, que por um bom tempo foi responsável por este serviço”.

Em julho de 2007, como sucessora dessa concessão, entrava no itinerário das linhas urbanas de Paracatu a atual
Expresso Planalto, empresa da holding CSC, proveniente da cidade de Viçosa, segundo informações constantes do seu próprio site.

Ainda hoje, é comum ouvir da população usuária dos ônibus urbanos, o dito
“vou alí pegar um Transpar!” numa referência ao serviço prestado por essa empresa ao longo de quase 19 anos em Paracatu.




(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é personal organizerElaborou este artigo a partir de suas pesquisas nos fundos documentais do Arquivo Público de Paracatu – MG.
REFERÊNCIAS
A TRIBUNA DE PARACATU. Paracatu, p. 1,4. 1 Abr. 1960.
COMARCA DE PARACATU. Registro de firma nº 582 de Antônio Reis Araujo. 01 Ago. 1972. 2 fls.
LOPES, Valdirene. Transpar, transporte público de Paracatu. Comentário de Edione Pacheco de Araujo Araujo.  Facebook Memórias de Paracatu, Paracatu, 26, julho. Disponível em: <https://m.facebook.com/groups/749657031734911/permalink/3487797191254201/>. Acesso em: 20 Dez. 2020
MENSAGEIRO DO CERRADO. Paracatu, p. 2. 30 Set. 1984.
O MOVIMENTO. Paracatu, p. 9. 16 a 31 Jul. 2003.
Sobre a Expresso Planalto. Expresso Planalto Transporte e Logística, 2020. Disponível em: <https://www.expressoplanalto.com.br/sobre&gt;. Acesso em: 21 Dez. 2020.
Agradecimentos aos Srs. Gerval Aparecido e Ivan Monteiro, pelas indicações quanto ao período de atuação das empresas Transpar e Sempre Viva.
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