21 mar 2020 09h23

Guerra pelo álcool em gel

Imagem de mohamed Hassan.Imagem de mohamed Hassan.
Adbel vivia sua rotina inalterável. Qualquer mudança no seu dia lhe causava dores de cabeça absurdas. E mais do que fazer uma alteração no seu dia, foi ver no jornal a atual situação do mundo. Com isso, teve uma enxaqueca das bravas. Ele já estava acostumado com algumas situações, como passar pelo lote abandonado que tinha no seu trajeto até o trabalho e ver o criador de mosquitos da dengue a céu aberto.
Mas o alarde sobre a pandemia mortal que pode matar mais rápido que o HIV e Gripe H1N1, foi que o deixou em colapso e o responsável em transformar sua noite de sono num pesadelo. Por mais que o vírus estivesse apenas como suspeito na cidade, já planejava tomar as precauções necessárias para o vírus não encontrar nem a sua pegada.
Com notícias e dicas que todos enviavam, mas não cumpriam, Adbel resolveu listar todas elas que foram recebidas no seu WhatsApp, para seguir passo a passo e se proteger do Covid-19. Medidas foram tomadas até o item dois: era necessário comprar um álcool em gel. A vendedora da farmácia, já cansada de repetir a mesma frase que não tinha mais esse tipo de álcool à disposição para vender, caiu pior que o próprio coronavírus nos seus poros.
Todos queriam estocar o máximo de álcool em gel e alimentos como se estivessem na terceira guerra mundial, fato que nem tem sua data marcada ainda.
Munido com a sua lista incompleta, foi até um amigo que estudou medicina. Olhos de desespero e com a voz trêmula, contou que seu plano infalível para não pegar a doença da moda falhou totalmente. Esperando o sermão do não dever cumprido, ouviu apenas o que precisava ouvir na orientação de que a solução não está apenas em passar álcool nas mãos. E mais importante que sentir o frescor da evaporação do álcool em gel nas mãos, era saber lavá-las corretamente com água e sabão.
Orientações dadas, chegou em casa mais aliviado e pronto para exercer seu aprendizado e repassar a corrente para outros amigos e parentes. Agora de forma correta, como deveria ter começado desde o princípio. Além do mais, começou a ter cautela com a absorção de seus recebidos no celular e com o que via e ouvia de pessoas alheias. Pois muitas vezes a repercussão pode matar mais que o vírus infiltrado na vítima.
Cláudio Oliveira – jornalista.

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