13 dez 2019 15h50

A Escola de Pilotagem Elementar do Aero Clube de Paracatu

Por: Carlos Lima (Arquivista*)
 
Foi ao primeiro dia de fevereiro de 1942 nas planas terras onde hoje se localiza do Bairro Bela Vista, que a cidade de Paracatu daria a sua grande contribuição para o transporte aéreo, com a formação de diversos pilotos graças à implantação do Aero Clube. Era a união de esforços daqueles que sonhavam em voar mais alto.
Homenageado com nome de rua nas imediações do Aeroporto e já não mais presente nestes ares desde 2002 quando falecera, o Sr. Everardo Santana ou “Seo Vevé” como era mais conhecido, foi um dos fundadores do Aero Clube local. O experiente piloto fora brevetado pela própria entidade e tivera como seu instrutor o Sr. Osvaldo Marra da Silva. Pouco tempo depois, o então aluno tornar-se-ia instrutor de novos aspirantes a esta tão criteriosa e arriscada profissão.
Em relevante entrevista publicada pelo jornalista Florival Ferreira na edição de nº 70 de O Movimento de 16 de março de 1994, afirmára o agora aposentado “comandante” Everardo Santana que o Aero Clube de Paracatu possuía “cinco aviões muitos bons” dotados dos modelos PA-18, paulistinha e piper. Era o próprio “Seo Vevé” quem fazia a manutenção do avião de sua propriedade, afirmára naquela ocasião ao mesmo jornalista.
Dois importantes documentos doados recentemente pelo Sr. Francisco Duguai Andrade ao acervo do Arquivo Público de Paracatu rememoram um pouco sobre a rotina do Aero Clube na década de 1980: O livro nº 03 de registro de Atas de reuniões e assembléias e o livro nº 001/86 registro de horas de vôos. Na folha 1 do primeiro livro, registra-se, entre outros, a perda de rota da aeronave prefixo PP-GXQ pilotada pelo Sr. “T”, no dia 03/08/1980,  que requisitado pelo instrutor "JCV" e sem a devida habilitação, tentou levá-la a Unái, contudo foi parar inicialmente num lugar denominado Palmital, e só depois fora orientado e conseguira chegar a Unaí.
Outro incidente com a mesma aeronave teria ocorrido no dia 24/08/1980 também em Unaí, conforme a mesma ata, que registra: “Tendo inclusive, o instrutor "CH", quando ministrava aulas para o Dr. "D", ao decolar deixando a aeronave sair da pista e ir até próximo ao arame que cerca o campo, deixando os demais alunos em pânico, sem confiança no instrutor e colocado o nome deste Aero Clube em dúvidas.” O documento cita o instrutor Sr. "JCV" como aquele que teria ordenado o envio da aeronave para Unaí para o fim descrito.
Já na ata da reunião realizada no dia 22/11/1980 na folha 3 verso constata-se que o Aero Clube estava com sua atividades de instrução de vôo paralisadas, visto que por ocasião do pedido de renúncia do então Presidente e também fundador da entidade, o Sr. Ruy Jordão de Carvalho, o diretor técnico Sr. Jaime Torres fizera “em seu nome e dos pilotos, elogio àquele Presidente pela sua luta cotidiana e maneira hábil para conseguir a reabertura do Aero Clube que há muito estava fechado”.
Na ata da reunião do dia 19/02/1982, fl. 11 verso, o novo presidente eleito Sr. Pedro Moura Magalhães enaltece os esforços do seu antecessor Sr. Antonio Lemos do Prado e também ao Sr. Ruy Jordão de Carvalho pela reativação do Aero Clube.
Destaca-se, por meio da ata da assembléia realizada em 24/02/1984, que foram brevetados 7 pilotos e aprovados em exame teórico, 6 alunos por parte do mandato findante da gestão do Sr. Antônio Lemos do Prado.
Em matéria publicada pela jornalista Uldicéia Oliveira, no Mensageiro do Cerrado do dia 31/08/1986 em sua edição nº 149, comemora-se o recebimento por parte do Aero Clube de Paracatu de uma aeronave doada pela Força Aérea por intermédio do então deputado paracatuense Sr. Jorge Vargas, que em seu belo discurso proferira a seguinte frase: “Nós homens voadores podemos ver a beleza da cobertura vegetal de nossa terra e que o mundo é grande. Sentimos que somos miúdos ao lado do universo”.
Na extensa ata da assembléia realizada no dia 14/06/1987 à folha 41 verso, registra-se um acontecimento tradicional nos cursos de pilotagem, um “banho de óleo” em um “aluno novato”, que, por negligência do seu instrutor de vôo, adentrara a secretaria e interrompera a presente reunião, a qual tivera de ser encerrada por causa a dispersão entre os associados. 
Nem tudo, porém, estava como céu de brigadeiro para os sócios do Aero Clube de Paracatu. Na ata da assembléia de nº 001/88 realizada aos 7/01/1988 na folha 43 no Hangar, o Presidente Mario do Couto afirmara que a situação econômico-financeira do Aero Clube “é absolutamente precária” e responsabilizára o pagamento das despesas com a reforma do motor da aeronave PP-GXQ pelo quadro caótico do clube.  
O livro registro de horas de vôo nº 01/86, por sua vez, traz anotações sobre um breve período de apenas 2 anos, 1986 a 1988,  com informações elementares sobre o recebimento das quantias referentes às aulas práticas. No ano de 1988, matricularam-se somente 6 alunos no curso de pilotagem do Aero Clube, os quais tinha a sua disposição as aeronaves de prefixo GXQ E HKT.
 
(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.
Referências
AERO CLUBE DE PARACATU. Paracatu. Atas de reuniões e assembleias do Aero Clube de Paracatu. Livro nº 03, 1980-1990. fls. 1-59.
AERO CLUBE DE PARACATU. Paracatu. Registro de horas de vôo do Aero Clube de Paracatu. Livro nº 001/86, 1986-1988. fls. 1-100
OLIVEIRA, Uldicéia. O Aeroclube ganha mais um avião. O MENSAGEIRO DO CERRADO. Paracatu, n. 139, Ago. 1986, p. 2-2.
SANTANA, EVERARDO. O homem que viu Deus no campo azul do infinito.[Entrevista concedida a] Florival Ferreira. O MOVIMENTO. Paracatu, n. 70 mar. 1994, p. 5.


Agradecimentos
Ao Engenheiro Civil e Agrimensor Leonel Melo Franco Santiago por informações complementares sobre o piloto e instrutor Sr. Everardo Santana (Seo Vevé).
Ao Grupo Memórias de Paracatu no Facebook, por imagens e informações adicionais.
 
 

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