8 out 23h05

O Duende cuidador de sonhos

Thayu/Paracatu.netThayu/Paracatu.net
Acordo no meio da noite ao som de uma voz que grita como se tivesse muitas novidades para me contar. Fico assustado, pois já é madrugada. Por mais que seja de bom grado a informação, quem faria esse tipo de coisa? Tirar alguém do seu repouso sagrado. Então, deparo-me com um ser pequeno de orelhas pontudas e um chapéu enorme de cor azul.
Antes mesmo que eu consiga pedir socorro ou até mesmo chamar a autoridade policial pela invasão, o ser se apresenta como o Duende responsável por produzir meus sonhos e pesadelos durante as poucas horas de sono que tenho. Nunca tinha passado pela minha cabeça ter alguém para tomar conta desse detalhe da minha vida.
O Duende perdeu a conta de quantas noites virou trabalhando para produzir todo o material dos meus sonhos e pesadelos, que concordo não ser fácil fazer. Quantos relacionamentos rompidos ou ensaiados em minha imaginação que levaram a delírios até nos cochilos pós-almoço. Os sonhos eróticos foram os primeiros a sair de circulação.
No sonho, o Duende também prevenia das desilusões da vida, para não perder tempo com pessoas insignificantes e muito menos dando atenção a elas. Tento negar, mas o problema é que ele conhece meus sonhos como ninguém e sabe que perco muito tempo pensando em convites rasos de quem tem apenas migalhas para me oferecer.
Acordo com o celular esgoelando. O Duende responsável pelos meus sonhos já não está mais no meu quarto. Toco nos pés da cama, morno, como se alguém tivesse acabado de sair dali. Abro a cortina e o sol vem com seus primeiros raios. Foi um sonho ou a realidade me alertando das armadilhas da vida?
Claudio Oliveira – Jornalista e roteirista

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