25 jul 10h32

Sistemas Agroindustriais e o Desenvolvimento Sustentável

Não é possível conceber o mundo sem produção de alimentos e é inegável que a agricultura e a pecuária são atividades essenciais à sobrevivência do ser humano. A agricultura tem forte impacto sobre o meio ambiente, por isso os efeitos da exploração têm sido objeto de grande preocupação e discussão. De acordo com Giordano (2005, p. 256), “as atividades agrícolas são reconhecidamente causadoras de problemas ao meio ambiente”

 Com o crescimento da população, houve a demanda por aumento da produção de alimentos e serviços e consequentemente uma maior apropriação dos recursos naturais para satisfazer as necessidades do homem. Daí a expansão da agricultura de mercado, ou agroindústria.

O conceito de agroindústria surgiu como um elemento para analisar o processo da modernização agrícola do país. O propósito era identificar a crescente subordinação da agricultura às forças econômicas exógenas à atividade agrícola em si. ( Wilkinson 1999).

Para Pereira (1996), a empresa agroindustrial compreende a unidade produtiva que transforma o produto agropecuário natural ou manufaturado para sua utilização intermediária ou final.

O estudo dos Sistemas Agroindustriais (SAG) se caracteriza cada vez mais como um importante fator de compreensão da dependência, que hoje é mais evidente entre indústrias de insumos, produção agropecuária, indústrias de alimentos e o sistema de distribuição. Isso é devido ao fato de que os SAGs são analisados sob uma ótica sistêmica, ou seja, há uma avaliação das relações entre os agentes ao longo de diferentes setores da economia, em oposição à visão tradicional, na qual há uma distinção entre os setores agrícola, industrial e de serviços (ZYLBERSZTAJN, 2005).

            De acordo com DAVIS & GOLDBERG (1957), a cadeia agroindustrial se refere a uma sequência de operações físicas, tecnicamente complementares, pertinentes à produção, distribuição e consumo de um bem ou serviço: um itinerário físico e um conjunto de agentes e de operações que permitem a realização da atividade produtiva até o consumidor final.

Podem-se compreender, então, os sistemas agroindustriais como um nexo de contratos, que vão desde o produtor e fornecedor de insumos até o consumidor final, o que permite identificar as formas de coordenação (governança) em cada relação entre os agentes.

Porém, o grande desafio está em alcançar o desenvolvimento econômico e ao mesmo tempo realizar a preservação ambiental. A isto chamamos de desenvolvimento sustentável.

Assim, Sanches (2000) alerta que daquelas empresas, que procuram ser competitivas ou mesmo sobreviver e se ajustar a esse novo ambiente de negócios, são exigidas novas posturas, seja na maneira de operar seus negócios, seja em suas organizações.

Segundo Kinlaw (1997) o desenvolvimento sustentável no setor produtivo representa “a evolução das empresas para sistemas de produção de riqueza que sejam completamente compatíveis com os ecossistemas naturais que geram e preservam a vida”.

Ao longo do tempo as questões ambientais inerentes a gestão das atividades industriais têm se apresentado como oportunidades para repensar os valores e práticas produtivas e estabelecer novos paradigmas da concorrência industrial (SANCHES, 2000).

A mudança na postura das empresas vem sendo moldada, em parte, por diversas iniciativas internacionais que se transformaram em padrões, acordos, recomendações, códigos unilaterais e multilaterais, que ajudam a compreender e implementar ações empresariais que busquem a sustentabilidade.

Coral (2002) alerta que as empresas nacionais precisam sobreviver no mercado global, crescer, desenvolver e obter lucro. Agregar valor aos produtos, vendê-los a um preço superior ao custo de produção e, ainda, produzir de forma ecologicamente correta, seguindo os princípios da sustentabilidade, é o desafio daquelas empresas que pretendem sobreviver por longos períodos.

A maneira como se deu o desenvolvimento da agricultura, assim como das agroindústrias, no Brasil deixou influências em várias características ambientais, que vão desde a biodiversidade pela expansão das fronteiras agrícolas até a saúde da população como resultado da qualidade do alimento produzido. O entendimento dos diversos aspectos relacionados a este processo é fundamental para a compreensão da situação atual do país, bem como para pensar soluções para o futuro (PÁDUA, 2002).

Elkington (2001) definiu a sustentabilidade empresarial como um resultado da gestão dos negócios aliado a teoria dos pilares do desenvolvimento sustentável: ecologicamente correto, socialmente justo e economicamente viável. Assim, de acordo com o autor a sustentabilidade empresarial pressupõe que “a sociedade depende da economia, e a economia depende do ecossistema global, cuja saúde representa o pilar derradeiro”.


Eng William Correa- Professor e Coordenador do Curso de Engenharia Civil-FINOM(Faculdade Noroeste de Minas).
Mestrando em Sistema Ambientais Sustentáveis- Univates(Universidade Vale do Taquari-Lajeado/RS)

© 2015 - PARACATU.NET - Todos Direitos Reservados. by #mndti