15 jul 14h35

Precisamos falar sobre a realidade da educação no Brasil

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Para começar uma reflexão sobre a realidade da educação no Brasil, é importante o conhecimento de alguns dados, como: “de 14 milhões em idade escolar, apenas metade frequentam a escola e aprendem a ler”. “41% não concluem a 8° serie”. Não é difícil relacionar esses resultados com algumas prováveis causas, que, diga-se de passagem, não são poucas.
As infraestruturas das escolas públicas estão precárias, muitas não apresentam o mínimo, como portas no banheiro, carteiras em condições de uso, e até saneamento básico. Os professores estão exaustos, desvalorizados, e ridicularizados pela situação que são obrigados a encarar sem nenhuma perspectiva de retorno ou reconhecimento, nem financeiro, nem moral. É simples relacionar esse cenário ao caos da educação, uma vez que é evidente na sociedade a precariedade das condições de trabalho desse profissional, cujo salário não paga o seu curso superior, mas as gratificações de um jogador de futebol cobririam os atrasados de muitos deles. Acredita-se que isso não seja novidade ou algo recém descoberto, há anos que o cenário da educação não muda, independente do governo, o processo de aprendizagem, ousa-se dizer, nunca foi respeitado em sua complexibilidade.
Enquanto isso, crianças e adolescentes passam pela escola, mas não a vivenciam, ou melhor, a vivência de muitos é contrária ao que deveria ser proposto pela escola, como lugar de segurança propício para a desenvolvimento cognitivo, social, emocional e educacional. É preocupante como essas crianças e adolescentes que serão “o futuro da nação” estão caminhando para a idade adulta de forma despreparada, sem conhecimento dos próprios direitos e desenvolvimento de pensamento crítico. A expressão aspada à cima, pode soar clichê, mas antes o fosse, trata-se de uma realidade que foi banalizada, mas deveria causar alarme a qualquer um que entende o mínimo de pirâmide etária, são eles, os alunos que estão frequentando as escolas públicas nas condições em que estão que estarão à frente do país como eleitores, governantes, e demais profissionais que estão relacionados ao desenvolvimento como um todo.
O documentário “Pro dia nascer feliz” (disponível no youtube), retrata a realidade do nordeste brasileiro, trata-se de uma pesquisa feita in-loco em escolas do ensino médio há 13 anos, e continua sendo completamente atual. O ensino médio é composto por alunos em idade entre 15 e 18 anos aproximadamente, é o momento em que mais ocorre desistências, dos estudantes em relação à escola e dos professores em relação aos alunos.
Na maioria das vezes, o sentido de aprendizagem já está perdido, o adolescente já não encontra justificativa suficiente que o mantenha na escola, e o professor já está cansado de insistir em alunos “difíceis”, “problemáticos”, “ rebeldes”, “ descompromissados”, “que não querem nada”, e demais adjetivos que sustentam o estereótipo da adolescência como uma fase de crise.
Mas o conhecimento transforma, desperta, existe nos jovens a vontade de ser reconhecido, e esses mesmos alunos que muitas vezes nem chegam a ser medianos podem ser excelentes se tiverem base e condições para o desenvolvimento. É o que fica evidente com o documentário “Pro dia nascer feliz”, que inclusive recomenda-se à quem se interesse a compreender parte da realidade da educação em nosso país, nessa realidade pode-se identificar adolescentes sedentos pelo saber, carentes de conhecimento, mas ignorados e esquecidos, tendo suas capacidades subestimadas, e dolorosamente potencias desperdiçados pela negligencia do sistema de educação que não os atinge com a qualidade mínima necessária.
Mediante esse contexto, claro que existem exceções, pode-se perceber o postura crítica e pensamento construtivos de alguns poucos professores, mas que são uma minoria, que lutam sozinhos contra uma avalanche de realidades contrárias. Esses, ainda que nessa situação conseguem intervir na vida de alguns desses alunos, despertando o que podemos chamar de uma luz no fim do túnel.



Mirelle Mendes Ribeiro Ramos 
Acadêmica de Psicologia 

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