15 jan 13h46

Bolsonaro assina decreto que flexibiliza a posse de armas no Brasil

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) assinou, nesta terça-feira (15), em cerimônia esvaziada no Palácio do Planalto, em Brasília, um decreto que flexibiliza a posse de armas no país. Uma das principais mudanças estabelecidas pelo texto é o maior tempo de validade do registro. Se antes o cidadão precisava fazer a renovação a cada cinco anos junto à Polícia Federal, agora o prazo é a cada 10 anos. Para a renovação do registro junto ao Exército, a validade passou de três anos também para 10 anos.

Com o decreto, a posse de arma fica garantida para: agentes públicos ligados à área de segurança; todos os residentes em área rural; residentes em áreas urbanas em estados com mais de dez homicídios por 100 mil habitantes (hoje, na prática, isso significa que são todos os cidadãos); donos ou responsáveis legais de estabelecimentos comerciais; colecionadores, atiradores e caçadores.
Antes de assinar o decreto, Bolsonaro disse que a população, no referendo de 2005, havia decidido "soberanamente" sobre a questão. "Para lhes garantir esse legítimo direito à defesa, eu, como presidente, vou usar esta arma", disse, exibindo uma caneta esferográfica. 
Segundo o presidente, um dos problemas que o decreto enfrenta é a "comprovação da efetiva necessidade [da posse de uma arma]". "E isso beirava a subjetividade", disse.  
A flexibilização da posse de armas no país foi uma das principais promessas de campanha de Bolsonaro. Ela não tem relação com o porte de armas, que é o direito de o indivíduo andar armado pelas ruas. A posse, por sua vez, é a autorização para manter uma arma em casa ou no trabalho, desde que o proprietário seja o responsável legal pelo local. 
Bolsonaro afirmou apesar de, anteriormente, ser liberada a compra de até seis armas, "na prática", não era o que acontecia. "Com a legislação atual, pode-se comprar até quatro e, preenchendo os requisitos, o cidadão de bem, com toda certeza, poderá fazer uso dessas armas". 
Bolsonaro diz ter assinado o decreto com "muita satisfação" para que o "cidadão de bem possa ter a sua paz dentro de casa".

Durante seu pronunciamento, Bolsonaro disse que as autoridades irão "acreditar" na declaração. 
"Ele [comprador] vai ter que, numa declaração, que nós acreditaremos na mesma, dizer que na sua casa ele tem um cofre ou um local seguro para poder armazenar a sua munição", declarou Bolsonaro. Segundo o presidente, trata-se de uma espécie de advertência, "um aviso", "porque logicamente nós sabemos do risco que existe a possibilidade em se ter uma arma de fogo em casa que não seja guardado em local seguro, em especial quando se tenha crianças dentro da mesma", complementou.

O primeiro inciso do artigo que prevê a declaração aponta que "a veracidade dos fatos e das circunstâncias" afirmadas no documento é "presumida". 


Taxa de homicídios será referência 
Poderão comprar armas moradores de áreas urbanas localizadas em unidades federativas com taxa de homicídios superior a 10 por 100 mil habitantes em 2016, conforme dados do Atlas da Violência 2018 - o que, na prática, abarca todos os 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal.

O decreto estende a permissão a residentes em área rural, militares ativos e inativos, titulares ou responsáveis legais de comércios ou indústrias e a colecionadores, atiradores e caçadores já registrados no Exército. 
Outros beneficiados são os agentes públicos, como trabalhadores da área de segurança pública e da administração penitenciária, integrantes das carreiras da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), alguns funcionários do sistema socioeducativo e pessoas envolvidas em atividades de poder de polícia administrativa. 
O texto estabelece ainda que, na hipótese de a residência do usuário ser habitada também por criança, adolescente ou pessoa com deficiência mental, ele deverá apresentar uma declaração de que o local possui "cofre ou local seguro com tranca para armazenamento". 
As mudanças do decreto passam a valer assim que ele for publicado no Diário Oficial da União, o que está previsto para acontecer ainda nesta terça-feira por meio de edição extra. As alterações não precisarão passar pelo Congresso Nacional. 




Fonte: Notícias Uol

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