13 mai 2010 14h55

Kinross se pronuncia sobre estudo da UFMG que comprovou concentrações altas de arsênio nos córregos e rios de Paracatu

Estudo científico apresentado pela pesquisadora Patrícia Rezende, sob orientação de Letícia Costa e Cláudia Windmöller, professoras-doutoras do Departamento de Química da UFMG confirmaram a contaminação das águas de Paracatu com arsênio.

As pesquisadoras mediram a quantidade de arsênio nos sedimentos dos córregos e rios do município. Segundo elas, a análise da poluição das águas pelo método de dosagem dos poluentes nos sedimentos revela informações mais confiáveis que a simples dosagem na água, pois os poluentes carregados pela água ficam retidos nos sedimentos de forma mais duradoura. "É como se os sedimentos contassem a história da água que passa", explica Rezende.

Os sedimentos dos córregos e rios de Paracatu estudados pelas pesquisadoras apresentaram uma concentração natural média abaixo de 2 mg de arsênio por quilo. Após a passagem dos córregos e rios por Paracatu, a concentração média aumenta para 150 mg de arsênio por quilo, podendo chegar a mais de 1000 mg por quilo.

As concentrações mais altas foram observadas no ponto de amostragem PTE023, no Córrego Rico. Uma medição feita em Agosto de 2008 indicou uma concentração de 1116 mg de arsênio por quilo de sedimento, o que corresponde a uma concentração 190 vezes maior que a estipulada pela legislação do CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e 744 vezes maior que a concentração média natural dos rios e córregos da região.

A maior parte do arsênio detectado no sedimento do leito do Córrego Rico neste ponto está na forma de arsenopirita, mineral presente na mina de ouro na proporção média de 1 kg por tonelada de minério [3]. Neste ponto também foi detectado o argilomineral ilita. Esse mineral
também é encontrado na mina de ouro operada pela canadense Kinross, e o ponto de amostragem está a jusante da mina.

O arsênio da mina de Paracatu pode alcançar os córregos de duas maneiras principais: pela deposição da poeira contaminada e pela drenagem ácida da mina e da lagoa de rejeitos. Os resultados da UFMG contradizem os resultados de auto-monitoramento realizados pela mineradora e aceitos pelos órgãos públicos de controle ambiental.

“A contaminação por arsênio atingiu teores superiores ao nivel 2 do Conama (17 mg.kg-1) em Paracatu. Essa região apresenta teores de arsenopirita naturais elevados, que estão sendo liberados para o meio ambiente devido à atividade de mineração de ouro” – informam as pesquisadoras.

Não é a primeira vez que estudos científicos comprovam a poluição das águas de Paracatu pela mineradora canadense Kinross. Estudo realizado pelo pesquisador Giovani Melo e publicado em 2008 em Paracatu já revelava uma contaminação de gravidade extrema, com repercussões sobre a saúde da população.


O POSICONAMENTO DA EMPRESA

Após tomar conhecimento da matéria, a empresa emitiu a nota abaixo:


INFORME

A Kinross Paracatu informa que possui rigorosos procedimentos de controle e monitoramento ambiental, assegurando a integridade do meio ambiente e da saúde das pessoas.

A empresa reitera que os resultados do monitoramento estão em conformidade com as exigências da legislação ambiental, sendo enviados regularmente aos órgãos estaduais competentes, e coloca-se à disposição da sociedade para quaisquer esclarecimentos adicionais que se façam necessários.

Paracatu, 10 de maio de 2010.

Kinross Paracatu

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