23 set 2014 03h03

Igreja esclarece: política, sim; padres na política, não

          Numa atitude que ele próprio reconhece não ser comum à sua pessoa, o bispo de Paracatu, Dom Jorge Bezerra, pela primeira vez desde que assumiu a direção da Diocese, em janeiro de 2013, fez pronunciamento oficial sobre política. E o fez sem oferecer a outra face ao que ele e a Igreja entendem estar errado. Disse, sem meias palavras,  que “É necessário faxinar a democracia brasileira e jogar na Geena o lixo corporativista, do qual escorre o chorume da corrupção que infecta e polui o ambiente político da Nação”.

         
Dom Jorge  conclamou a população a apoiar iniciativas que têm o objetivo de alterar essa realidade. É o caso, por exemplo, do projeto de lei de reforma política e eleições limpas já. E, também,  da proposta de plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana do sistema político brasileiro. Depois de anos e anos de tentativas vãs de fazer a reforma, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e mais de 400 outras instituições sociais nacionais entendem que ela, apesar de ser desejada, não ocorrerá, caso o protagonizar de tal ato dependa apenas dos atuais legisladores, muitos com interesses por vezes díspares daquilo que reivindica a voz rouca das ruas.

          
A chamada democracia representativa – o povo elege os seus representantes e estes, fiéis aos representados, trabalham na edificação de suas aspirações – não tem sido uma realidade no Brasil. Ao contrário, o que tem sido determinante é a falta de transparência na condução da coisa pública em todos os níveis. Os interesses coletivos são relegados a planos secundários para que prevaleçam os interesses menores de grupos, partidos ou pessoas. O fator dinheiro é cada vez mais decisivo nos processos eleitorais. O ter passa a ser mais importante que o ser, e disso decorrem diversas anomalias que levam à insatisfação e ao sofrimento da Nação. A saída, assim, é a instituição de um sistema misto: democracia representativa, com manutenção da representação atual, porém, funcionando paralelamente a uma democracia participativa, onde o povo, devidamente mobilizado, inclusive quando os representantes pisarem na bola, como vêm pisando, possa participar das grandes decisões nacionais.

          
Com a abertura de Dom Jorge ao tema, criou-se expectativa quanto à sempre polêmica e por alguns desejada  participação de padres na política.  Quem pensava assim, pode ir tirando o cavalo da chuva. Em entrevista ao Programa Opinião e Debate, da Rádio Juriti, o bispo reiterou a linha da Igreja: sacerdote e outros religiosos não devem participar da vida partidária e nem política como candidatos a cargos eletivos, o que sempre provoca divisões no rebanho. Excepcionalmente, o Código de Direito Canônico admite essa possibilidade, quando o bem público estiver em risco. Excepcionalmente...  


 
Do Toco do Pecado – Comentários de Florival Ferreira

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