22 abr 2011 18h59

Semana Santa, fonte inesgotável de Espiritualidade

Por ser uma festividade de primeira grandeza no ciclo anual da liturgia cristã, a páscoa tem em torno de si elementos significativos. Ela é antecedida por momentos preparatórios: a quaresma e a semana santa. Os três últimos dias desta semana, que são considerados seu coração, compõem o chamado tríduo pascal. Cada um deles traz a proposta de uma espiritualidade específica. Na quinta-feira santa dá início ao tríduo e se celebra a instituição da Eucaristia, do sacerdócio e o lava-pés, faz-se memória da última Ceia, momento em que o Senhor institui o novo mandamento: “amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros” (Jo 13,34).

A sexta-feira traz a memória do julgamento, crucificação e morte e sepultamento de Jesus. A partir da tarde deste dá início à expectativa da ressurreição, quando se vive a profundidade da oração e da reflexão. Somente na noite de sábado, com a celebração da vigília pascal se anuncia a ressurreição, com uma das mais belas e ricas de símbolos cristãos, tais como o fogo, a água, o círio – vela grande que simboliza a luz do Senhor ressuscitado. Enfim, o domingo de páscoa, logo pela manhã se celebra o dia da páscoa do Senhor.

Inicialmente, talvez já nos tempos dos apóstolos, a semana santa era celebrada só a partir da sexta-feira. Eram dois dias (sexta-feira e sábado) de jejum rigoroso, em preparação para o domingo, em que se celebrava a ressurreição de Cristo.

Depois, foi incluída também a quarta-feira, para lembrar o dia em que os chefes judeus decidiram prender o Salvador.

Somente no século II se institui a celebração de toda a semana santa. Um escritor desse tempo diz que muitos passavam todos esses dias sem provar nenhum alimento. Em algumas igrejas, esses dias eram também de descanso para todos os servos e escravos. Algumas igrejas celebravam todas as noites vigílias solenes de orações e leituras, com a celebração da Eucaristia.

Ao que parece, as cerimônias próprias da semana santa surgiram principalmente em Jerusalém onde, de certo modo, permaneciam mais vivas as lembranças dos últimos dias de Jesus. Essas solenidades foram imitadas pelas Igrejas do oriente, depois pelas Igrejas européias. Só lá pelo século IX é que chegaram até Roma. É interessante notar que, já nesses primeiros tempos, na sexta-feira e no sábado jamais se celebrava a Eucaristia.

O Concílio Vaticano II – realizado na década de 1960 – destaca a centralidade do mistério pascal de Cristo, recordando como dele deriva a força de todos os sacramentos e dos sacramentais.

Assim como a semana tem o seu início e o seu ponto culminante na celebração do domingo, marcado pela característica pascal, assim também o ápice de todo o ano litúrgico resplandece na celebração do sagrado tríduo pascal da paixão e ressurreição do Senhor, preparada na quaresma e estendida com júbilo por todo o ciclo dos cinquenta dias sucessivos.

Na semana santa a Igreja celebra todos os mistérios da salvação, levados a cumprimento por Cristo nos últimos dias da sua vida, a começar pelo seu ingresso messiânico em Jerusalém. O tempo quaresmal continua até à quinta-feira Santa. A partir da missa vespertina inicia-se o tríduo pascal, que abrange a sexta-feira santa ou “da paixão do Senhor” e o sábado santo, e tem o seu centro na vigília pascal, concluindo-se com as vésperas do domingo da ressurreição.

Em cada lugar, a paixão, morte e ressurreição de Cristo é celebrada de maneira peculiar. Em muitas cidades, na procissão da ressurreição, os moradores estendem enormes tapetes coloridos nas ruas, verdadeiras obras de arte feitas dos mais diversos materiais, como flores, serragens, palha de café, vidrilhos e outros produtos.

Na cidade de Paracatu, o destaque fica por conta da organização das procissões, através das quais se manifestam publicamente a fé e a espiritualidade da semana santa. Na sexta-feira santa e no domingo de páscoa as celebrações são abrilhantadas com a apresentação da chamada guarda romana e as personagens bíblicas, além da encenação da paixão. Essas iniciativas, além de proporcionar um toque especial à semana santa, colaboram com a reflexão e a vivência do sentido desta semana de fé e oração para todos os cristãos.
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