23 dez 2010 01h06

O arco-íris pousou sobre a minha casa

Sol com chuva, casamento da viúva! Era assim que nos tempos de criança a gente corria alegre pelas ruas, esperando que o casamento acabasse num lindo arco-íris. Uma pintura de cor no céu era como um sorriso no rosto, capaz de espalhar a felicidade, pois tudo é possível imaginar quando se tem a alma sonhadora:

arco-da-aliança,
arco-da-chuva,
arco-da-velha,
arco-da-viúva...
o céu festejando a vida.

Vermelho, lá vai violeta! Foi assim que a professorinha nos ensinou guardar a sequência das cores: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo e violeta. A cartilha escolar queria nos convencer que arco-íris era apenas um fenômeno óptico e metereológico, uma difração do espectro da luz solar, nada mais que uma ilusão.

O que contava, porém, eram as histórias do pote de ouro, um pote encantado, enterrado bem ao pé do arco-íris, que fugia do lugar quando a gente ia buscá-lo. Os mais velhos nos garantiam que quem se atrevesse a cortar o arco, separar as listras ou passar por baixo dele, se mulher, ia virar homem; se homem, ia virar mulher... e isto ninguém queria. Então, a gente ficava entre o sonho do pote de ouro e o medo de se arriscar.

Mas hoje o dia seguiu quente e cansado do sol de verão, com um fim de tarde ameaçando chover lá pras bandas do leste. Como mineiro lhe garanto que “num tô me queixano sô, purque sem só-quente o fejão num bageia e o milhará num amareleia”. Mas não é que o arco-íris só tem quando chuvisca? Foi aí que eu me vi criança, pois o 'casamento da viúva' foi festejado com um lindo arco-íris, uma ponta pousada sobre o telhado da minha casa. Se você duvida, veja a foto. Eu não tive dúvida: exatamente ali ele escondeu um resplandecente pote de ouro puro... ou será um pote de melado... ou um pote de farinha... ou um pote d’água bem friinha?...
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