6 set 2010 13h52

Eleições Brasileiras 2010: Coronelismo ou Democracia

As eleições brasileiras sempre foram emblemáticas, recheadas de símbolos e jargões que transpuseram décadas e chegaram a nós com explicações aceitáveis e muitas vezes questionáveis, também não tenho pretensão nenhuma de aventurar-me na seara dos cientistas políticos e nem historiador.
Todos nós crescemos com a idéia do coronelismo e curral eleitoral que data do Brasil colônia, ou seja, a história brasileira mostra-nos um passado difícil e conturbado, rejeitável na sua totalidade.
A história mostra-nos fase das eleições em que para eleger-se necessitaria uma assinatura importante e conhecida, mas que muitas vezes não rendeu nada ao povo, e pelo contrário gerou problemas sociais que só se agravaram com o tempo.
Existiu a época da vassoura de Jânio Quadros, que prometeu varrer os problemas brasileiros e também o crescimento propalado por Juscelino Kubitschek, que contribuiu muito para o desenvolvimento de Paracatu.
A ditadura militar apagou completamente a possibilidade de escolha do brasileiro, pois tínhamos governadores impostos, senadores biônicos e alguns questionadores da situação.
A Constituição de 1988 propunha um Estado Democrático de Direito, em que pudéssemos escolher e viver a tão sonhada democracia na plenitude, porém na prática está longe de acontecer, diante da realidade fria e dura que permeia nossa sociedade.
As eleições de 2010 iniciaram-se com a famosa Lei da Ficha Limpa, em que tem tantos apoiadores e relatores, porém o legislativo quer gabar-se de fazer uma coisa que é sua obrigação e não favor à sociedade, mas mesmo assim estamos vendo candidatos mensaleiros, casteleiros, sanguessugas e muitos outros no horário político obrigatório.
Estamos todos atônitos, pois muitos candidatos necessitam de padrinhos para que sua candidatura decole, parece-nos que voltamos ao coronelismo, e este apadrinhamento está por todos os lados do país.
O presidente tem seus candidatos e exige nosso voto, como recompensa pelos bons serviços prestados à sociedade, o governador não ficou atrás e escolheu o seu pupilo para que pudéssemos eleger, e assim vai a cadeia política brasileira.
Os deputados encontram apoio nos vereadores das cidades para conseguir o almejado cargo no legislativo, como se fizessem da parte de uma negociação em troca de emendas de dinheiro oriundo da nossa contribuição.
Enfim sinto-me na época do Brasil colônia em que decidiam o voto pelos outros, vivemos um verdadeiro curral eleitoral, e que nós pobres mortais estamos à disposição de alguns que decidirão nosso sagrado voto.
As eleições cheiram jogo de carta marcada, longe da democracia que sonhávamos com o advento da Constituição de 1988, pois os candidatos são escolhidos por poucos e o pior já decidiram meu voto, só falta no dia 03 de outubro comparecer a urna e apresentar o título eleitoral, pois o resto já está consumado.



Marcos Rogério Miranda
Comunidade do Rosário

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