5 out 2010 13h36

Estiagem no Noroeste deixa feijão 80% mais caro

O preço do quilo do feijão nas prateleiras subiu cerca de 83% nas últimas três semanas. O tipo carioca passou de R$ 2,69 para R$ 4,93, em média, de acordo com pesquisa feita em dois supermercados da cidade pela reportagem do CORREIO de Uberlândia. Segundo o Sindicato da Indústria do Arroz de Minas Gerais, que trabalha com grãos em geral, a expectativa é de que os preços continuem elevados até novembro. O motivo do aumento é a estiagem prolongada, que provocou queda na oferta do produto.

“A Bahia e o Paraná, que são os maiores produtores, sofreram com a seca. A oferta do produto não acompanhou a demanda e a gente sente aqui também”, afirmou o presidente do Sindarroz/MG, Jorge Meirelles. A região não é forte na cultura e traz o grão de Paracatu e Unaí para beneficiamento.

O Instituto Brasileiro de Feijão e Legumes Secos (Ibrafe) acredita que o preço bata os recordes de 2008, quando a saca de 60 quilos chegou a R$ 300. Atualmente, o preço da saca está em R$ 200.

Cleivon Guerra, gerente de supermercados, percebeu queda no consumo. “Acredito em redução de até 15%”, afirmou. Ele trabalha no ramo há 20 anos e está acostumado com as altas. “Mas esta foi muito rápida e o consumidor reclama”, disse.
A dona de casa Marly Andrade pagou R$ 2,30 no quilo do feijão há cerca de um mês. “Lá em casa, a gente consome em média três quilos mensalmente. Com este preço, vou fazer receitas alternativas, como o tutu ou o tropeiro, pra render mais”, disse.

Plantio está atrasado

De acordo com o Sindicato da Indústria do Arroz de Minas Gerais (Sindarroz/MG), que trabalha com cotações de grãos em geral, o plantio da safra que deveria começar em setembro está atrasado por causa da longa estiagem. Os produtores começaram a fazer o cultivo agora e, por isso, a oferta do produto só deve aumentar nos supermercados em novembro, provocando redução nos preços.

Uberlândia teve uma área plantada de 190 hectares com feijão em 2009. Este ano, a área foi reduzida para 150 hectares. A produtividade no município também caiu. De 2.400 kg/hectare no ano passado para 1.800 kg/hectare este ano. Os dados são da Emater.

Área plantada cai pela metade

A área plantada de feijão na segunda safra — que vai de fevereiro a maio — caiu de 5.165 hectares em 2009 para 2.353 neste ano no Triângulo Mineiro, com exceção da região de Uberaba. De acordo com o diretor da comissão de agricultura do Sindicato Rural de Uberlândia, os produtores foram desestimulados a investir na cultura por causa dos baixos preços praticados nas safras anteriores. “Aqui, o feijão é visto como uma cultura alternativa, de rotatividade”, disse. Os dados são do Sistema de Acompanhamento de Safra Agrícola da Emater de Uberlândia. Para suprir a demanda, os beneficiadores buscam o grão em Paracatu e Unaí.

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