17 fev 2009 13h00

Cooperativa é opção na crise

WebReporter
Com o caixa reforçado pelos bons resultados do ano passado, as maiores cooperativas de crédito de Minas Gerais multiplicaram o volume de empréstimos depois da crise financeira mundial, na direção oposta à dos recursos escassos e mais caros nos bancos. Pequenas empresas, produtores rurais e profissionais aflitos para trocar dívidas pesadas por encargos menores levaram ao crescimento de até 100% das operações nessas instituições, comparadas aos financiamentos concedidos antes de setembro do ano passado. A turbulência na economia já é vista como um desafio para as cooperativas abocanharem novas fatias do sistema financeiro.

Para Heli de Oliveira Penido, presidente do Sicoob Central Crediminas, que reúne 97 cooperativas no estado, com 371 mil associados, pelo menos dois fatores conspiraram, no sentido positivo, em favor do bom desempenho dessas instituições, quando elas nem imaginavam o tamanho do estrago irradiado das bolsas de valores. Além de acumularem boas reservas financeiras em 2008, à medida que expandiram as redes de atendimento e o número de filiados, houve uma diversidade na base de atuação, permitindo, por exemplo, a abertura de cooperativas então exclusivas de crédito rural.

“No momento em que o sistema bancário refluiu, estávamos preparados para incrementar o atendimento aos associados. Diferentemente dos bancos, a cooperativa oferece um guarda-chuva nos dias de chuva, e não de sol”, afirma. A Sicoob Crediminas verificou aumento de 41,8% dos empréstimos entre outubro e dezembro do ano passado, na comparação com o trimestre anterior. A variação representou um salto de operações no valor total de R$ 383,4 milhões nos três meses analisados de 2007 para R$ 543,6 milhões em idêntico período de 2008.

Cerca de 30% da expansão da carteira de empréstimo se deve ao chamado crédito produtivo, liberado a pequenas empresas e produtores rurais. Heli Penido diz que as taxas de juros se mantêm em níveis 20% a 25% inferiores aos encargos cobrados nos bancos. Variam de 1,5% ao mês no desconto de recebíveis a 3,5% mensais para financiamento de capital de giro. Esse mesmo público foi o principal alvo dos empréstimos adicionais feitos pelo Sicoob Central Cecremge, com suas 81 cooperativas e 240 mil associados no estado. Segundo Luiz Gonzaga Viana Lage, presidente da instituição, o volume de empréstimos quase dobrou.

Entre os servidores militares, da Polícia Civil e da Secretaria de Educação reunidos na mineira Coopemg, a busca por empréstimos permitiu a compra de bens e a escolha de planos de pagamento de dívidas a juros menores, conta o capitão Luiz Rodrigues Rosa, presidente da instituição. O volume mensal de empréstimos alcançou R$ 1 milhão por mês, frente à média, antes da crise, de R$ 500 mil mensais. “As taxas de juros não mudaram e não temos medo de emprestar”, afirma Rodrigues Rosa.

Edson Gonçalves de Sales, dono da Casa Sol, empresa de embalagens de Belo Horizonte, recorreu a uma cooperativa para financiar a compra de uma máquina que faz sacos de papel, avaliada em R$ 150 mil. “Em dois dias, o fornecedor recebeu o dinheiro e não enfrentamos a burocracia imposta pelos bancos, mas a maior vantagem é que os cooperados são sócios, participam da gestão da cooperativa”, afirma. Ronaldo Scucato, presidente da Organização das Cooperativas de Minas Gerais, diz que a expectativa do sistema cooperativista de todo o país é de driblar os efeitos da crise e crescer 10% neste ano.


Fonte: Comunicação da Sicoob Crediparnor

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