6 dez 00h30

Os perigos da puberdade

Claudio Oliveira
'Novinhas' vão das salas de aula para o baile funk (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)'Novinhas' vão das salas de aula para o baile funk (Foto: Ricardo Nogueira/Folhapress)
Quando a fase da puberdade chega aos adolescentes vem com ela a mudança fisiológica do tom de voz, aquela carregada de imposição tonal a qual acomete a todo adolescente: a mania de acharem que sabem e podem tudo e devem agir como julgarem melhor, doa a quem doer, a última palavra é deles. Ouvir os pais? Jamais. Com isso, vem o despreparo dos adolescentes para viver a vida como ela é. E sem a menor instrução dos perigos que podem prejudicá-los. Diariamente, vemos jovens jogando o futuro pelos ares por não terem onde se apoiar com seus sonhos e projetos.
A história de menores que frequentam lugares regados a bebidas, drogas, transam sem proteção e com diversos parceiros não é espanto para ninguém.  Isso não acontece apenas nas áreas mais pobres das cidades, na classe média alta os adolescentes também agem conforme sua própria dança e os pais, preocupados, relatam a falta de pudor dos jovens quando estão sozinhos, por exemplo, e a casa fica livre para festas com amigos. Aliado a isso, muitos adultos acreditam ser um mau-caratismo ou mesmo pouca vergonha ter a matéria de educação sexual ministradas nas salas de aula. Estranho seria negarmos nossa origem, a naturalidade da vida, do sexo e suas consequências reais e urgentes. Caso nas escolas seja possível contar com professores preparados para tratarem de maneira dinâmica, de acordo com a idade de classe, a questão da vida sexual, com certeza, nossos adolescentes estariam mais conscientes dos problemas que a falta de informação correta acarreta, como gravidez indesejada por falta de compreensão no uso dos métodos contraceptivos (e isto não deveria ser preocupação e cuidado apenas das meninas!), abortos clandestinos,  festinhas com bebida e sexo deliberados, e o abuso ostensivo e cada vez de mais comum acesso às drogas.
Em uma pesquisa da Bayer, divulgada pelo portal “O GLOBO” ainda neste ano, aponta que 41% das jovens entre 16 e 25 anos não conversam com os pais sobre sexo. A mesma pesquisa informa que há dez anos o número de pessoas que não tocavam no assunto tanto em casa como na sala de aula era maior. Atualmente, deve ser ainda pior entre os adolescentes mais novos, por um único motivo: grande parte das famílias não sabe e não está devidamente preparada para falar de assuntos tabus como sexo e drogas, mesmo com o arsenal de informações que a internet nos disponibiliza. O que me leva a crer que jamais estiveram ou estivemos preparados para isso.
Tão preocupante quanto e, para piorar nossa incapacidade secular de falar sobre sexo afim de levar o puro entendimento de algo tão intrínseco à natureza, é que devo lembrar que o presidente eleito e alguns parlamentares acreditam, em pleno século XXI, que o sexo tem de ser aprendido apenas dentro de casa. Espanta, não?! Isso seria dar as costas para a realidade que mostra a olhos nus a urgência em se discutir com nossos jovens temas como esses citados que, além de ceifar vidas por falta de conhecimento e preparo, estão presentes no cotidiano de todos os jovens, independentemente de onde moram ou à qual classe social pertencem.
No atual momento, alguns sábios, digo, demagogos, querem calar os professores – que exercem sua função e ainda recebem muito mal para isso – sem ter dimensão de que irá piorar o que já é uma verdadeira mazela. Enquanto jovens engravidam sem estarem prontas, o índice de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) só aumenta. Porque, muitas pessoas do politicamente correto, acreditam que falar de sexo é um tema imprudente para se lidar nessa fase da vida, quando na verdade imprudente, mesmo, é fazer vista grossa e impedir que a informação adequada e segura chegue aos nossos jovens como, muito, um dia com grande dificuldade chegou para nós.
Claudio Oliveira - Jornalista

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