9 nov 07h20

Vice-governador de MG é preso em operação da Polícia Federal em Vazante

WebReporter
O vice-governador Antonio Andrade (MDB) foi preso na manhã desta sexta-feira em Vazante, Noroeste de Minas Gerais, na Operação Capitu, um desdobramento da Operação Lava-Jato. O político é acusado pela Polícia Federal de participar de uma organização criminosa que autava na Câmara dos Deputados e no Ministério da Agricultura.

Antonio Andrade foi ministro da Agricultura entre 2013 e 2014, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). De acordo com informações da Polícia Federal, estão sendo cumpridos 63 mandados judiciais de busca e apreensão e 19 de prisão temporária, todos expedidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1). 

Além de Minas Gerias, a operação acontece no Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso. 

A Operação se baseou em delação de Lúcio Bolonha Funaro – doleiro ligado ao MDB – sobre supostos pagamentos de propina a servidores públicos e agentes políticos que atuavam direta ou indiretamente no ministério em 2014 e 2015. 

A organização criminosa atuava na Câmara dos Deputados e no Ministério da Agricultura e era formada por servidores, políticos do MDB, empresários e executivos da JBS. 

“Esse grupo dependia de normatizações e licenciamentos do MAPA e teria passado a pagar propina a funcionários do alto escalão do Ministério em troca de atos de ofício, que proporcionariam ao grupo a eliminação da concorrência e de entraves à atividade econômica, possibilitando a constituição de um monopólio de mercado”, informou a PF.

Também foram preso nesta manhã o deputado estadual reeleito João Magalhães (MDB). O nome do mineiro já havia sido citado na Lava-Jato no ano passado, em razão da divulgação de um áudio em que ele cobrava uma propina de R$ 4 milhões ao executivo da JBS, Ricardo Saud. Antes de chegar à Assembleia Legislativa, Magalhães foi deputado federal por quatro mandatos. 

JBS

A PF prendeu ainda os executivos da JBS Joesley Batista e Demilton de Castro. Ricardo Saud também é alvo de um mandado de prisão, mas está fora do país.  O deputado federal eleito Neri Geller (PP-MT), que foi ministro da Agricultura em março e abril de 2014 também está preso. 

Joesley Batista havia sido preso em setembro de 2017 depois que a Procuradoria Geral da República (PGR) rescindiu o acordo de delação premiada por suposta omissão de informações nos depoimentos. O empresário foi solto em março por decisão do juiz Marcus Vinícius Reis Bastos, da 12 vara da Justiça Federal de Brasília. 

Os acusados serão indiciados por organização criminosa, obstrução da Justiça, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. As penas podem variar entre três anos e 120 anos de prisão. 

Capitu

A operação foi batizada com o nome da famosa personagem de Dom Casmurro, obra de Machado de Assis, porque a PF verificou que empresários e funcionário da JBS, que inicialmente atou um colaboração premiada com a política, teria praticado atos para obstruir a Justiça e prejudicar as investigações. 

No livro de Machado de Assis, Capitu é uma personagem dissimulada e acusada de traição por Bentinho. 

Mais detalhes sobre a operação serão repassados pela PF em coletiva à imprensa marcada para as 10h desta sexta-feira. 


 

  • Fonte: EM.com.br


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