20 out 13h27

Paracatu aos 220 anos e seu perfil para o turismo sustentável

Carlos Lima
Conhecido e povoado em função da existência de ouro de aluvião no lado oeste das Minas Gerais, o antigo Arraial de São Luiz e Sant’Anna das Minas do Paracatu despertou o interesse dos primeiros bandeirantes que aqui chegaram há pelo menos 400 anos, os quais abriram caminho para o surgimento da futura e pujante capital do Noroeste do Estado.
Hoje com aproximados 92.430 habitantes, conforme dados oriundos do IBGE para 2018, e cortada estrategicamente pela BR-040 que liga Brasília a Belo Horizonte, Paracatu desponta em sua economia graças à preferência de muitas empresas que aqui se instalam bem como pelo crescente empreendedorismo de sua própria população.
Inicialmente marcada pelo ciclo do ouro e posteriormente pelo do couro, este último ampliado devido ao surgimento de pequenos estabelecimentos industriais (aguardente, polvilho, manteiga, açúcar e outros), Paracatu tivera a partir da década de 1980 uma maior fecundidade em atividades tais como a mineração (âncora da geração de renda e divisas), a agropecuária, a educação superior , o comércio em geral e o turismo.
A exploração do turismo no município conta com diversos atrativos, entre os quais a Casa de Cultura, o Museu Municipal, o Arquivo Público, as Igrejas históricas e a feira livre realizada aos sábados pela manhã nas imediações da Prefeitura, com a venda de artesanatos e comidas típicas. Durante o mês de julho, os holofotes voltam-se para o Festival Cultural de Paracatu, com premiações para o melhor da gastronomia e da música, o que tem agitado a cidade nessa época do ano.
O Núcleo Histórico de Paracatu (NHP), área tombada desde 2010 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), compreende diversas edificações, becos, monumentos e praças com valor histórico que se traduzem em um belo e rico acervo da arquitetura dos séculos XIX e XX.
A cidade mãe do Noroeste das Minas Gerais também é a que reúne vasta e preciosa documentação sobre o passado de toda a região, através do funcionamento do seu Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga, órgão destinado à salvaguarda e a franquia do acesso a importantes fontes de pesquisa cultural e científica.
Para agradar o paladar dos turistas que desembarcam na antiga Vila do Paracatu do Príncipe, categoria esta decretada em 1799 pela Rainha de Portugal Da. Maria Primeiro, a culinária paracatuense tem, dentre outras iguarias, o bolo desmamada, o tradicional pão de queijo (com direito à data comemorativa em todo 05 de julho), o bolo de domingo e o saboroso e crocante biscoito de polvilho (peta), muito elogiado no seu seguimento.
As noites paracatuenses oferecem ao turista algumas opções de gastronomia e show ao vivo em estabelecimentos bem acolhedores no próprio Núcleo Histórico, como na Rua Goiás e no Largo do Sant’Anna, o que tem trazido para esses lugares um maior movimento de pessoas e novas fontes de economia e de renda.
Paracatu assim, homenageada no alto de seus 220 anos de emancipação política, tem atributos que a tornam querida mas também a fazem despontar no ranking dos negócios, e para um futuro bem próximo, espera-se que o turismo nestes rincões seja interpretado, abraçado e posto em prática como um modelo promissor, sustentável e alternativo à predominante exploração minerária local.
 
(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.
 
Referências:
 
IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. População estimada [2018]. Rio de Janeiro: IBGE, 2018. Disponível em:< https://cidades.ibge.gov.br/brasil/mg/paracatu/panorama>. Acesso em: 19 out. 2018 .
 
OLIVEIRA MELLO, Antônio de. Paracatu do Príncipe: Minha Terra. Patos de Minas: Academia Patense de Letras. 1978,  144 p.
 
GONZAGA, OLÍMPIO MICHAEL. Memória Histórica de Paracatu. Paracatu: Prefeitura Municipal de Paracatu. 136p.

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