23 jul 14h35

Dom Eliseu, o Pai da Diocese de Paracatu

Dom Leonardo de Miranda Pereira
Em sua Divina Comédia, Dante Alighieri descreve certa personagem com esta expressão: Deus o fez e quebrou a forma. Referia-se o poeta italiano à inigualável qualidade da pessoa que, por sua excepcionalidade, era única. Sem igual, portanto. Assim digo eu de Dom Eliseu van der Weijer. Excepcional. Inigualável. Deus o fez e quebrou a forma. De modo que não há outro igual. Dom Eliseu foi excepcionalmente único. Seus contemporâneos na certa concordam comigo. Tive o privilégio de conhecê-lo em minha terra natal, em julho de 1959, por ocasião de uma Semana Ruralista. Servi-lhe de cicerone em Diamantina, no transcorrer daquele evento. Uma semana apenas, mas o suficiente para apreciar e admirar o gênio de Dom Eliseu. Simples. Alegre. Muito bem humorado. Atencioso com todos, pois, cumprimentava religiosamente qualquer transeunte, mesmo desconhecido. Assim lá, assim cá. Isto é, aquele mesmo senhor, embora já bem idoso como o conheci em Diamantina, muito atencioso e educado, sempre foi desse mesmo jeito em Paracatu.
Aqui chegou no início de 1929, região totalmente desconhecida dele. Mas veio para ficar. Mesmo após a morte. Foram 33 anos ou um pouco mais. Tomou posse da recém-criada Prelazia Nullius de Paracatu em 1º de março de 1929. Nem era bispo ainda. Não passava de um piedoso e santo sacerdote Carmelita e, desde então, com o título de Monsenhor Prelado. Só 14 anos mais tarde foi nomeado e ordenado bispo, tornando-se Bispo Prelado.
Paracatuense de coração, porque totalmente identificado com seu povo, por dever de justiça o primeiro reconhecimento que faço de sua santa pessoa é este: Dom Eliseu amou seus diocesanos com verdadeiro coração de pai. Portanto, muito mais que com o título de Monsenhor ou Bispo Prelado eu o vejo como verdadeiro pastor e pai espiritual desta grei do Senhor. E como tal soube aproximar-se de suas ovelhas. Cortou a então Prelazia Nullius de Paracatu em todos os sentidos. Viajava frequentemente no atendimento pastoral às mais distantes ovelhas. Eram longas e cansativas viagens em lombo de animal. Isso para ele era insignificante. Como se diz na gíria: ele nem estava aí. Naquele tempo, o sertão vazio e solitário exigia longas e penosas visitas pastorais. Às vezes, juntamente com os que o acompanhavam, via-se obrigado a pousar a céu aberto, dormir ao relento, quando a noite o alcançava em sua modesta tropa andeja. Mesmo às volta com as costumeiras dificuldades da viagem ou com o desconforto das improvisadas hospedagens, mantinha sempre imperturbável bom humor. Desprendido das coisas terrenas e indiferentes às honrarias humanas, Dom Eliseu soube preparar o terreno, isto é, com serenidade e calma estabeleceu condições estruturais para a Prelazia ser elevada à condição de Diocese, o que ocorreu logo após seu falecimento.
Entre suas inúmeras e valiosas contribuições à Igreja e à sociedade de Paracatu, evidentemente além da transmissão e preservação da fé cristã, destaca-se justamente o fato de ele ter favorecido a criação da nossa atual Igreja Diocesana. De sorte que, de pleno direito, a posteridade consagra-lhe o reconhecido título de Pai da Diocese de Paracatu.

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