20 jun 13h44

Boato: Paracetamol vendido no Brasil não está infectado com vírus mortal

Glauber César Rodrigues
Uma mensagem espalhada pelo WhatsApp pode causar preocupação por ter um conteúdo que, caso seja verdadeiro, faz um alerta sobre a saúde das pessoas. De acordo com o texto, o paracetamol do tipo P/500 estaria sendo vendido no Brasil infectado com o vírus Machupo, responsável por febres hemorrágicas que podem levar à morte.
A corrente diz: "Cuidado, não tome o paracetamol que vem escrito P/500. É um novo paracetamol, muito branco e brilhante, os médicos provam que contêm vírus Machupo, um dos vírus mais perigosos do mundo. Partilha esta mensagem, para todas as pessoas e familiares".
FALSO: Paracetamol não carrega vírus mortal
Ele está associado à febre hemorrágica boliviana e sua infecção causa febre alta, acompanhada de fortes sangramentos. Seu desenvolvimento pode levar à morte.
Esta é, no entanto, a única informação verdadeira da mensagem. Falsa e antiga, a corrente já rodou diversos países na Europa, Estados Unidos e Ásia.
De acordo com Marcelo Muscará, professor do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP (Universidade de São Paulo), a mensagem circula no Brasil desde 2015, com diferentes versões.
"Às vezes muda o vírus e o remédio, mas o sentido é o mesmo: meter medo na população", afirma o especialista. "É mais do que falsa, não passa de uma atitude terrorista."
Segundo Muscará, não é preciso entender muito de tecnologia farmacêutica para perceber a mentira. "Um vírus jamais poderia sobreviver em um comprimido. Ele é sólido. Se tem água, não chega a 1%", explica o professor. "Em medicamentos biológicos, poderia ser um pouquinho mais suscetível [essa possibilidade], embora ainda improvável. Só que, em formulações secas, está fora de cogitação."
Além disso, o docente afirma que os medicamentos no Brasil passam por um controle de qualidade muito bem feito. "A indústria farmacêutica é muito rígida com os seus produtos, não há a chance de um remédio, que vem para curar, transmitir um vírus. Eles nunca deixariam passar", afirma Muscará.
Quando o boato chegou a suas mãos, o professor pesquisou para saber sobre o suposto paracetamol P/500. De fato, ele existe. Não é exatamente um tipo, mas uma marca registrada. Segundo ele, é um medicamento da empresa indiana Apex.
Talvez por isso tem chegado a tantos outros países. No ano passado, foi repassado ao menos na Índia, nos Estados Unidos, na Albânia e em Singapura. Os ministérios responsáveis pela área da saúde emitiram notas para tranquilizar a população, dizendo não haver motivo para preocupação.
Anvisa também desconsidera circulação de remédio com vírus
Em nota enviada a reportagem do site UOL, a Anvisa também tranquiliza contra o conteúdo presente na corrente. Responsável pela regulação de medicamentos, o órgão federal garantiu que a confiabilidade de todos os remédios vendidos no Brasil, nacionais ou importados, “é assegurada por meio da definição de rígidos critérios de qualidade adotados para análise da concessão de registros e pós-registros, revalidações bem como para o monitoramento pós-mercado”.
“O medicamento Paracetamol, alvo da mensagem questionada, pode ser registrado como medicamento similar ou genérico. Para a concessão de registro destas classes de medicamentos, devem ser apresentados, dentre outros testes, a bioequivalência/biodisponibilidade relativa e equivalência farmacêutica”, revela a agência reguladora. “Tais testes revelam em qual quantidade e em quanto tempo um princípio ativo atinge a corrente sanguínea, depois de administrado, em comparação com o medicamento de referência, bem como para comprovar se tais medicamentos têm o mesmo princípio ativo, na mesma dosagem e forma farmacêutica que o medicamentos de referência, respectivamente.”
O órgão informou ainda que as empresas têm a obrigação de manter sistemas de vigilâncias próprios, como serviço de atendimento ao consumidor, e de atualizar a Anvisa caso algum problema seja detectado.

Fonte: UOL confere

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