8 dez 2017 21h56

Uma Paracatu melhor com pequenos gestos de cidadania

Carlos Lima
Localizada em um importante corredor rodoviário entre duas grandes capitais, Belo Horizonte e Brasília, através da BR-040, Paracatu reúne atributos capazes de conferir-lhe o título de cidade pólo do Noroeste Mineiro, a exemplo de sua crescente economia e desenvolvimento alavancados por setores de mineração, agropecuária, educação, comércio e indústria sucroalcooleira , além de ostentar um patrimônio histórico material e imaterial invejável a muitos municípios.  Tanta pujança, entretanto, contrasta com a existência de vícios corriqueiros de quem ainda não aprendeu ou ignora a todo custo que é preciso uma maior consciência sobre o uso do espaço urbano.
Um olhar mais sensível sobre a urbe e seu crescimento demográfico pode detectar uma gama de irregularidades que afetam os próprios indivíduos no seu dia à dia e produzem uma arquitetura urbana desigual e sem muitos atrativos. Existe, muito certamente, uma larga ignorância sobre a importância das calçadas para a circulação de pedestres, as quais mais figuram como espaço privado do que público. Não raro, as calçadas de Paracatu são objeto da ganância alheia uma vez que sobre elas edificam-se muros, postes, rampas de garagens, canteiros, grades, pontos de ônibus mal projetados, entre outros obstáculos que suplantam de vez a sua finalidade precípua de delimitar o espaço de quem se locomove à pé.
Se de um lado o problema está na ocupação das calçadas por todo tipo de construção irregular, entulho, comércios (até borracharia!), além dos desníveis e outras barreiras que obrigam os pedestres a irem para as ruas disputarem o espaço com os carros e motocicletas, por outro, as vias públicas, que em parte são a rigor limpas pelos garis, mais parecem o quintal ou a lixeira de algumas centenas de mal-educados que continuam a arremessar embalagens plásticas e outros tipos de dejetos pelas ruas. O resultado mais provável, além da própria poluição ambiental, é o entupimento dos bueiros e o conseqüente alagamento de alguns trechos, sem contar na má fama de lugar sujo que isso pode acarretar para uma cidade que já é tombada como patrimônio histórico nacional e também é a capital mundial do pão de queijo.
Há ainda que se mencionar que o trânsito no município vive o seu pior momento, excepcionalmente porque aliada às costumeiras infrações as quais podem ser vistas a todo instante, está a ausência de políticas que visem à qualificação da mobilidade urbana, a exemplo de uma fiscalização mais ostensiva, da implantação de câmeras nos semáforos (isto sim, funciona!), a implantação da Zona Azul, que democratizaria o uso dos estacionamentos centrais por meio da cobrança de taxas simbólicas. Ademais, é consenso de que rampas de acesso para deficientes a cidade bem que tem, até mesmo em alguns bairros, mas os condutores não estão nem aí para elas e as bloqueiam sem dó nem piedade de seus usuários.
É bem verdade que compete ao Estado zelar pela manutenção da ordem em geral e exercer sua governabilidade sobre os cidadãos com vistas à realização de investimentos que lhes tragam maior qualidade de vida e segurança, mas o envolvimento e a iniciativa coletiva nesse contexto são requisitos cruciais para a construção de uma cidade mais justa e melhor para se viver. É indispensável, portanto, olhar para a cidade não como para um lugar estranho e de responsabilidade única do governo, mas principalmente como se cada olhasse para sua própria casa e se orgulhasse muito viver nela.  

(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projeto e  é consultor em organização de arquivos e memória empresarial.
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