7 nov 21h10Atualizado em 7 nov 21h13

Educação Fiscal desperta consciência cidadã em estudantes de Minas Gerais

Glauber César Rodrigues
Iago Saraiva, de 13 anos, já sabe que é um cidadão. Apesar da pouca idade, ele tem consciência de que os impostos que seus pais pagam servem para melhorar ruas, reformar escolas e garantir o atendimento nos postos de saúde. Conhecimentos que ele adquiriu em sala de aula. “Foi muito importante aprender isso porque vou levar para minha vida toda e passar para meus filhos e netos”, diz (Ouça aqui o depoimento do Iago).

O adolescente é um dos 440 alunos da Escola Municipal Rosália Andrade da Glória, localizada em Congonhas, Território Vertentes. Foi nas aulas sobre Educação Fiscal que Iago aprendeu o que é cidadania. O tema ainda é pouco trabalhado nas instituições de ensino, mas tem ajudado a mudar a história de muitos jovens do município.

A iniciativa partiu da professora e pedagoga, Célia Aparecida Gabriel, ao concluir o curso de Disseminador de Educação Fiscal promovido pelo 
Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Fazenda (SEF) e sua Escola de Administração Fazendária (Esaf), em parceria com a Secretaria de Estado de Educação (SEE).

Para colocar em prática os conhecimentos adquiridos, Célia criou o projeto Gentileza Gera Gentileza e Cidadania. “A ideia era implantá-lo no bairro, até que surgiu a oportunidade de aplicá-lo em sala de aula. Como os atos de vandalismo e de depredação eram comuns na escola, percebi que era preciso conscientizar os alunos de que tudo que é público pertence a todos”, explica (
Ouça aqui o depoimento da Célia).

Para isso, a professora lançou mão de vídeos, jogos, murais, palestras, fotografias, entre outros recursos. Mas uma das atividades mais importantes foi a observação da própria escola.

“Pedi que eles olhassem o ambiente onde eles estavam e perguntei se eles sabiam quem tinha financiado a construção da escola e quem era responsável pelo meu pagamento. Eles não souberam responder”, diz.

 
Da escola para a vida
Os alunos também realizaram visitas a vários estabelecimentos da cidade e aprenderam a importância de exigir a nota fiscal. A estudante, Alice Giovana Araújo, de 14 anos, afirma que aprendeu a lição.

“O cupom é uma garantia em caso de troca e a empresa é obrigada a pagar o imposto para o Governo. É esse dinheiro que retorna para nós em forma de melhorias na cidade”, afirma.

As gêmeas Isabela e Isamara Moreira, de 14 anos, fizeram questão de compartilhar o aprendizado com a família. “Nossa mãe não tinha o hábito de pedir o cupom fiscal. Um dia, ela comprou um produto com defeito e não conseguiu trocar. Explicamos que, por isso, é importante exigir a nota e, hoje, ela não se esquece mais”, conta Isamara (
Ouça aqui o depoimento de Isamara).

O desperdício também deixou de ser uma prática comum entre os estudantes. Folhas que eram utilizadas para fazer aviõezinhos passaram a ser reaproveitadas. “Aprendi que, com o dinheiro que usaria para comprar outro caderno, posso fazer outras coisas, como ajudar meus pais, por exemplo”, afirma a estudante Laura Vitória Ferreira, 13.

 
Conquistas
Os alunos também fizeram uma análise das reais condições da escola, do bairro onde estudam e do patrimônio público da cidade. “Eles listaram todos os problemas que encontraram e fizeram uma carta que foi entregue à Prefeitura e à Câmara Municipal de Congonhas”, afirma Célia.

A iniciativa valeu a pena. “Havia muitos carros abandonados no meu bairro e muitas ruas com buracos. Depois que entregamos a carta, a prefeitura tapou os buracos e recolheu os veículos. Fiquei muito feliz, porque vi que aquilo era fruto de algo que eu ajudei a fazer”, comemora Iago Saraiva.

A escola também foi beneficiada. “Conseguimos a cobertura para a quadra de esportes, as carteiras quebradas foram trocadas e as portas dos banheiros que estavam quebradas foram consertadas”, diz Caio Nathan de Souza, aluno do oitavo ano.

“A partir do momento que perceberam que tinham direitos e deveres, eles começaram a fazer reivindicações e a agir como meus fiscalizadores. E eu aprendi que tinha que dar uma resposta para aquilo que eles veem que não está bom na escola. Hoje, as portas da minha sala ficam abertas e trabalhamos juntos”, destaca a diretora da escola, Rosane de Lourdes Agostinho.

 
Outras ações
Vale ressaltar que as ações do Proefe não se restringem às escolas. Segundo Zanon, as prefeituras também são incentivadas a adotar ações de Educação Fiscal voltadas tanto para o público em geral, como também para estudantes. Desde a criação do Proefe, já foram realizadas reuniões, capacitações, palestras e blitze educativas e outras ações em 406 cidades de Minas Gerais. A prestação do serviço é gratuita.


Crédito (fotos anexas): Luiz Antônio Zanon
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