21 set 08h58Atualizado em 21 set 09h02

Paracatu pede socorro: Estamos sem água!

Carlos Lima
Paracatu-MG  – 20/09/2017 – Chuvas escassas, aumento do consumo de água e o desmatamento crescente estão entre as principais causas para o quadro alarmante do desabastecimento hídrico em Paracatu, cidade do Noroeste mineiro que possui aproximadamente 90.000 habitantes e que é privilegiada por sua rica malha hidrográfica, embora esta venha sofrendo as duras conseqüências da estiagem e do uso predatório de suas águas.
Razoável é afirmar que nestes últimos cinco anos a população local jamais tenha vivenciado um racionamento de água tão intenso quanto o que vem sendo praticado pela Companhia responsável pelo tratamento e distribuição desse recurso (COPASA), neste segundo semestre de 2017. Até um escalonamento por bairro e dia (ver imagem abaixo) para a restrição do fornecimento de água foi implantado e divulgado na imprensa e redes sociais pela COPASA, para evitar o colapso no sistema de abastecimento local.
Enquanto cidadãos e cidadãs testemunham a água minguar por tudo quanto é lado e usam da criatividade que lhes é bem característica para não passar sede, as autoridades responsáveis pelo problema se vêem num longo jogo de empurra-empurra e tardam a anunciar uma solução plausível e eficaz para a crise no setor hídrico do município.
Fato inquestionável é que a demanda por água aumentou sobremaneira nos últimos anos, especialmente porque não só a atividade mineraria expandiu seu parque industrial, mas também outros grandes empreendimentos, como os setores sucroalcooleiro e agropecuário, que tem forte emprego do recurso em voga para a sua produção.
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Parte do mapa do racionamento praticado pela COPASA no município de Paracatu. Fonte: Movimento Mais Paracatu / Ago. 2017

E soma-se a tudo isso, o alto consumo no meio urbano, que mesmo em meio à tenebrosa situação, contraditoriamente, é marcada pelo desperdício, posto que é corriqueiro flagrar pessoas lavando veículos, calçadas, paredes e pasmem, até o asfalto da porta de suas residências e estabelecimentos comerciais. Multa para coibir esse desrespeito não é uma idéia muita aceita pelas lideranças políticas locais, afinal, todo cuidado é pouco quando o assunto sugere o risco de perda de eleitorado.
Depreende-se dessa problemática que a população terá de repensar o uso desse bem natural que tem se tornado cada vez mais escasso ao longo dos anos e que não se poderá mais contar apenas com as reservas hidrográficas para garantir a subsistência humana e a produção local, mas será indispensável o planejamento e a construção de grandes barragens para armazenar e suprir a demanda por água em Paracatu.
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 Foto: Rio Paracatu assoreado
(*) Carlos Lima é graduado em Arquivologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBa), é Pós-Graduado em Oracle, Java e Gerência de Projetos, é consultor em organização de arquivos e memória empresarial e exerce a função de Arquivista no Arquivo Público Municipal de Paracatu.

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