22 abr 22h10

O que há por trás da "Baleia Azul"

Glauber César Rodrigues
O jogo da 'Baleia Azul', que propõe 50 desafios aos adolescentes e sugere o suicídio como última etapa, preocupa pais, alunos e professores no Brasil. Há investigações policiais em vários estados, inclusive com mortes confirmadas em função do jogo ou do desafio.
O que atualmente está sendo conhecido como "jogo" na verdade é uma sequência de troca de mensagens em redes sociais e tarefas a serem cumpridas. Nas conversas, um grupo de organizadores, chamados "curadores", propõe 50 desafios macabros aos adolescentes, como fazer fotos assistindo a filmes de terror, automutilar-se desenhando baleias com instrumentos afiados em partes do corpo e ficar doente.
O jogo foi um “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação Russo em 2013 mas que se espalhou a partir de 2015. Era um ‘fake news’, mas existe um efeito que, sendo verdadeira ou não, a notícia gera um contágio, principalmente entre os jovens. O jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.
O fato é que hoje as redes sociais tomaram conta da vida das pessoas, mas o problema maior é o que está por trás do jogo da baleia e tantos outros modismos que de vez em quando aparecem...
Hoje é o baleia azul, mas tem o Sal e Gelo, que os adolescentes tem que queimar partes do corpo, tem o Jogo da Fada que os adolescentes se desafiam quem fica mais tempo com o gás de cozinha aberto e as janelas fechadas durante a noite e tantos outros...
Eu particularmente vejo que esses “joguinhos” são apenas um gatilho para jovens que já tem algum tipo de distúrbio social, de problema emocional e que na maioria das vezes são deixados de lado, são ignorados, no caso os problemas pelos pais e responsáveis.
Veja bem, os adolescentes são expostos a situações que comprovadamente levam a pessoa à depressão. Tem que ouvir músicas psicodélicas, assistir filmes de Terror e outras coisas que levam a pessoa a uma confusão mental...
E o que é isso?
Isso é a distância afetiva dos filhos em relação aos pais. Hoje em dia os pais se livram dos filhos das mais diversas formas. Pensam que os filhos estão em segurança em casa, mas colocam TV e internet sem limite no quarto pra ele ficar a madrugada inteira fechado naquele mundo.  E quando eu digo sem limite não é sem limite de uso, é sem controle de uso.  Você que está lendo, quantas vezes já monitorou o que seu filho anda fazendo? Por onde seu filho adolescente ou ainda criança tem andado no mundo virtual?
A questão se propagou porque agora a tecnologia, as redes sociais aproximam as pessoas com mais facilidade e mais velocidade.
É difícil encontrar quem não navegue por algum tipo de site ou de aplicativo. O problema é que no meio de tanta oferta há algumas armadilhas. É o caso do desafio desta praga, deste boato que virou modismo e vem alarmando e colocando em risco pessoas despreparadas, já predispostas a serem controladas por mentes maldosas.
Aos pais, ficam as sugestões abaixo:
Fique atento à mudança de comportamento
Uma mudança brusca de comportamento pode ser sinal de que a criança ou o adolescente esteja sofrendo com algo que não saiba. “Isolamento, o fato de o adolescente passar muito tempo fechado no quarto ou usar roupas para se esquivar de mostrar o corpo são pistas de que sofre algo que não consegue falar”
Compartilhe projetos de vida
Para entender se a criança ou adolescente está com problemas é fundamental que os pais se interessem por sua rotina. “Os pais devem conhecer a rotina dos filhos, entender o que fazem, conhecer os amigos”. Aos pais cabe incentivar que os filhos tenham projetos para o futuro, tracem metas como uma viagem, por exemplo, e até algo mais simples, como definir a programação do fim de semana.
Abra espaço para diálogo
Filhos devem se sentir acolhidos no âmbito familiar, por isso, é necessário que os pais revertam suas expectativas em relação a eles. “É preciso que o adolescente se sinta à vontade para falar de suas frustações e se sinta apoiado. Se ele tiver um espaço para dividir suas angústias e for escutado, tem um fator de proteção”

Eu finalizo dizendo que uma criança, um adolescente é um recipiente a ser preenchido, se os pais, os responsáveis, os professores ensinam, orientam, edificam, dialogam, explicam, fortalecem os vínculos não há espaço para ser preenchido com baleias azuis, gatos pretos, vacas amarelas ou outras variações.


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