17 abr 23h50Atualizado em 18 abr 00h03

Documentário Europeu questiona ação da Mineradora Kinross em Paracatu

WebReporter
Em 12 de abril passado, quarta-feira, a uma televisão estatal da França apresentou um documentário realizado pelo jornalista Zinedine Boudaoud sobre a mineração ao lado da zona urbana de Paracatu. Foi um documentário minucioso, buscando os vários aspectos dos impactos socio ambientais gerados e as consequências na saúde e na vida das pessoas aqui residentes.

O programa de investigação jornalístico francês postou em seu site o documentário chamado "Ouro a qualquer preço". Na reportagem, debate-se sobre os impactos socioambientais da maior mina de ouro a céu aberto do Brasil aqui em Paracatu, operada pela mineradora canadense Kinross. Confira o resumo em tradução livre que segue online junto ao documentário:

“Esta mina de 110 km² parece um enorme monstro que devora a cada dia um pouco mais a cidade e seus moradores afetados por muitas doenças. Paracatu é uma cidade brasileira de 84.000 habitantes, localizada no estado de Minas Gerais. Ela é apelidada de "Cidade do Ouro", mas deve, antes, ser chamada de "a cidade de arsênio”. O número de casos de câncer e outras doenças graves estão crescendo de forma anormal. As doenças listadas são graves: câncer de todos os tipos, condições neurológicas graves acompanhadas de paralisia, síndrome de Guillain-Barre, deficiência auditiva, acuidade visual reduzida, entre outros.

A origem do mal 


Segundo o documentário, é o arsênio lançado no ar e na água, pela maior mina a céu aberto de ouro no mundo. A mina é propriedade do grupo canadense Kinross Gold Corporation. Esta é a principal fonte de renda e emprego em toda a região. Mas desde 1987, a população local está exposta a intoxicação maciça, embora a empresa de mineração bem como as autoridades políticas e judiciais negam.

O oncologista Sergio Ulhoa Dani demonstrou gravidade do envenenamento”, aponta o realizador do documentário, Zinedine Boudaoud. Ele entrevistou diversos moradores contaminados por arsênio, muitos deles gravemente enfermos e ainda afirmou que vários foram intimidados.

Segundo a reportagem, a mineração começou há trinta anos atrás em Paracatu, mas nenhum estudo epidemiológico independente foi realizado, portanto não pode ser feito um julgamento sem conhecimento, apesar das várias queixas de envenenamento.

Em sua frase final, o artigo deixa um triste panorama: “A mina tem previsão de operar até 2036, portanto a contaminação não está pronta para parar”.
Também entramos em contato com o médico Sérgio Dani, que se encontra na Suíça, que falou sobre o panorama internacional dessa reportagem: “Esse documentário, como o próprio nome já diz, é um documento. Como foi produzido pela televisão estatal francesa, ele é um documento que tem idoneidade. Seria inadmissível que depois desse registro do desastre ambiental e humanitário de Paracatu, nenhuma ação seja proposta contra a Kinross, seus acionistas, e as autoridades de governos e bancos negligentes, coniventes e cúmplices, tanto no Brasil, quanto no Canadá e noutros países.

O simples fato de a televisão francesa ter produzido esse documentário é a prova do interesse globalizado pelo problema. Olhando por este prisma, o impacto deve ser considerado global”, afirmou ele.

Posicionamento da Kinross

Em conversa com a Assessoria de Comunicação da Mineradora Kinross, a jornalista Fran Dornelas manifestou descontentamento com a matéria que ela classificou como “parcial”.  Segundo a assessora, a Kinross forneceu todas as informações solicitadas pelo autor da matéria e ainda disponibilizou especialistas que poderiam fornecer mais mais informações, que foram "desconsideradas."

Abaixo, transcrevemos na íntegra a Nota enviada à imprensa.

“A Kinross rejeita categoricamente todas as alegações feitas relativas à problemas de saúde supostamente causados pela atividade de mineração de ouro. Tais alegações são irresponsáveis e não possuem qualquer embasamento científico.

Em relação às alegações sobre contaminação por arsênio, a Kinross esclarece que se baseia nos estudos feitos pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) e também pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – INCT Acqua, em convênio com a Universidade de Queensland- Austrália. Os estudos demonstram que não existe qualquer tipo de evidência de contaminação ambiental ou da população de Paracatu, por arsênio.

Esses estudos concluídos em 2013, para avaliar o potencial de contaminação da mineração de ouro em Paracatu há mais de 20 anos, foram conduzidos pelo Centro de Tecnologia Mineral (CETEM) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), Instituto Evandro Chagas, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de São Paulo (USP), o Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UNB) e a Pós Graduação da Geoquímica Ambiental da Universidade Federal Fluminense (UFF) e também pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – INCT Acqua, em convênio com a Universidade de Queensland- Austrália. 

Em relação às operações da Kinross em Paracatu, a empresa investe em vários projetos ambientais, tais como o Projeto de Revitalização do Córrego Rico, que consistiu na recuperação da área dos danos causados pelo garimpo e a instalação de um parque linear. Tal projeto foi reconhecido em 2011 pelo Prêmio Benchmarking Ambiental Brasil. 

Atualmente está em fase de conclusão da construção de um CRAs – Centro de Reabilitação de Animais, em parceria com uma ONG ambiental.  Dada a proximidade das operações com a cidade, a empresa dá especial ênfase aos controles ambientais no que tange a: Geração de ruído; Vibração; Poeira e Qualidade das águas. Para cada um desses itens existem programas e ações específicas que vão além dos controles requeridos pela legislação. 

Além disso, a empresa informa que possui diversos controles como monitoramento ambiental, diálogo aberto 24h/dia com a comunidade, gestão de ruído, gestão de poeira, gestão das águas e um projeto de preservação de nascentes que já recuperou 202 nascentes da região. Este foi o posicionamento da Kinross Brasil Mineração S/A.”


Por; Claudete Campos Guimarães
Fotos: Arquivo Márcio José dos Santos

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