12 jan 2010 14h25

Governo não irá autorizar obras de transposição em Paracatu

WebReporter
A construção de cinco barragens em sub-bacias do Rio São Francisco abriu mais uma crise entre os governos federal e de Minas em torno da transposição. O Ministério da Integração Nacional concluiu este ano estudos que apontam a viabilidade de novas represas em três afluentes mineiros do Velho Chico.

O objetivo seria evitar falta dágua para atividades econômicas nas margens, além de garantir vazão para abastecer os canais que vão irrigar o Nordeste. Antes mesmo de um pedido formal, o governador Aécio Neves (PSDB) avisa que seu governo não dará aval ao projeto e nega licenciá-lo, sob o argumento de que trará danos ambientais e sociais irreparáveis. Além de favorecer a poluição e a mortandade de peixes, as obras inundariam cerca de 3,2 mil imóveis e expulsariam moradores.

Conforme os levantamentos, encomendados a três empresas, três barragens seriam construídas no Rio Paracatu, uma no Rio das Velhas e outra no Rio Urucuia.

O custo total é estimado em R$1,5 bilhão. Os lagos inundariam parcelas de 12 cidades (João Pinheiro, Paracatu, Lagoa Grande, Vazante, Santo Hipólito, Curvelo, Inimbutaba, Gouveia, Presidente Juscelino, Buritis, Arinos e Formoso). Eles armazenariam água no período de cheia para liberar durante a estiagem, o que manteria o nível do São Francisco. Nas contas da Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf) - estatal do Ministério da Integração que toca o projeto -, a vazão do rio poderia mais do que dobrar durante a seca, passando de 450 metros cúbicos por segundo para 1,1 mil.Somados, os reservatórios teriam 15 bilhões de metros cúbicos, metade da capacidade da Hidrelétrica de Sobradinho (BA), considerada a caixa dágua da transposição. Cada um funcionaria como uma pequena central de geração de energia, produzindo, em conjunto, entre 150 e 200 MW (5% da geração da usina baiana). As obras chegaram a ser propostas como medidas de compensação aos efeitos da transposição, mas foram descartadas pelo Ibama.

Com reservas, técnicos da Codevasf admitem que o governo pretende assegurar o sucesso do projeto de irrigação do semiárido nordestino com as barragens. Mas ponderam que o principal objetivo é abastecer as diversas atividades econômicas que dependem do rio em estados ao sul, como Minas.

- A irregularidade da vazão provoca conflitos entre setores que dependem do rio, como a pesca, a agricultura e a geração de eletricidade. Com o incremento, conseguiríamos minimizá-los - afirma o engenheiro civil Edie Andreeto, assessor da Presidência da Codevasf.

Fonte: O Globo
Foto: Rio Paracatu
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