25 nov 2009 05h03

Atividades perdem espaço para modernidade

Thiago Cruz
Como qualquer cidade brasileira Paracatu não é diferente, vítimas da modernidade e do esquecimento por parte das pessoas, profissões perdem espaço. Algumas caminham rumo à restrição dos campos de atuação.

Sapateiro, relojoeiro e alfaiate são apenas alguns exemplos de profissões que ainda existem, mas com muito menos serviço e prestígio que tinham há algumas décadas. Hoje, esses profissionais sobrevivem graças a fiéis clientes ou algum outro "bico" que ajude no orçamento da casa.

O sapateiro João Rubens da Silva, que exerce a profissão há 32 anos, também passa por essa situação e acredita que isso ocorreu devido ao aumento das lojas e o baixo preço das mercadorias. "Hoje em dia, qualquer pessoas prefere comprar um par de sapatos novo em uma loja com promoções do que consertar o velho que às vezes só está descolado ou rasgado", afirma.

Segundo o sociólogo Sérgio Vinícius de Lima, esse esquecimento deve-se à modernidade e ao modo de vida da pessoas. "As pessoas estão com mais pressa do que antigamente, correm mais e nem sempre tem tempo para esperar o conserto de uma roupa ou sapato, por isso compram novos", diz.

Lima compara a situação dos sapateiros e alfaiates de hoje com os artesãos do feudalismo. "No feudalismo, os artesãos foram perdendo espaço e desapareceram, algo semelhante ao que vivemos hoje", afirma o sociólogo.

De acordo com Silva, ainda existem pessoas que procuram o serviço de sapateiro, mas concorda que não são muitos e, por isso, faz alguns "bicos" para aumentar a renda da família. "Tenho alguns clientes fiéis, de mais de 10 anos, mas mesmo assim ainda faço alguns bicos para ajudar no orçamento, como eletricista e mecânico", explica.

Para Silva, essas profissões não vão acabar nunca, pois sobrevivem devido à tradição de família. "Meu pai foi sapateiro, eu sou e se Deus quiser meu filho vai seguir nosso caminho e manter a tradição", declara.

O sociólogo também concorda que essas profissões não devem acabar, mas vão perder cada vez mais espaço. "Nesse momento, a tendência para essas profissões é a restrição, e cada vez mais vão perder espaço na sociedade", conclui Lima.


Fonte: Age Notícias
Foto: Marco Antônio Santos
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