26 nov 2012 04h54

Desemprego? Onde?

Glauber César Rodrigues
O que tenho visto ultimamente não falta emprego, é falta de qualificação e falta aptidão

Muita gente se queixa de que falta emprego para todos, apesar de tantas notícias contrárias na mídia,  da queda nos índices de desemprego e do aumento do emprego formal, com carteira assinada. Ao mesmo tempo muitos empresários alegam que possuem vagas, mas que precisam de gente com aptidão, gente treinada, gente com interesse, ousadia e competência para exercer atividades ou enfrentar desafios.
Já falei disso várias vezes, mas sempre que faço uma entrevista de emprego para minha empresa ou para os clientes que tenho neste área eu vejo que o problema persiste e é crescente. Existe a necessidade de formar profissionais de uma forma geral. Engenheiros, matemáticos, físicos, técnicos agrícolas, informática, administração, Mestres de Obra, Eletricistas... e não de formar gente apenas nas áreas mais faladas, ou as chamadas profissões da moda.
Devemos lembrar que estamos em uma cidade que tem crescido acima da média nacional, conforme já foi mostrado recentemente na imprensa. Devemos ter consciência de que um país como o Brasil, em crescimento econômico com parâmetros chineses, exige que se tenha investimento em infraestrutura básica, energia elétrica, estradas e portos, mas também, e principalmente, em infraestrutura humana, em recursos humanos, ou seja, gente devidamente capacitada, treinada e especializada, com pelo menos uma língua adicional, no mínimo o inglês, para poder aproveitar boas oportunidades de trabalho, muitas vezes não preenchidas porque não há gente que atenda os requisitos básicos.
E o grande problema é que a maioria não sabe falar e escrever nem o português.
Encontrar erros num Currículum de ortografia e concordância é a coisa mais fácil. Por falar em fácil, esta semana entrevistei um candidato a uma vaga de atendimento que escreveu “F A Ç I L” com cedilha e quando eu questionei ele, foi lá e corrigiu colocando “dois SS”.
Tive um caso também que a pessoa falou que estava procurando o primeiro emprego, que ninguém dava a oportunidade para os jovens e tal. Mas que ela não trabalhava no sábado porque sempre saia com os amigos depois da Faculdade na sexta-feira.
Ah! Que me desculpem os eletricistas e técnicos em eletrônica, mas teve um que procurou uma vaga de “Operador de telemarketing” afirmando que era quase a mesma coisa e que ele tinha experiência.
Teve o caso de uma candidata que não sabia qual era a vaga que estava disponível e para qual estava se candidatando. E ainda afirmou: “Ah... qualquer coisa pra mim ta bom, porque eu estou querendo é preencher o meu tempo!” Mas, para a empresa, “qualquer coisa” não está bom. Uma coisa é o interesse, outra coisa é a falta de aptidão.
Outro caso que me chamou atenção foi de uma candidata que disse estar precisando muito trabalhar, mas que não tinha condições de fazer curso, de estudar e que ficava o dia inteiro em casa no FACEBOOK conversando com os amigos enquanto não aparecia uma oportunidade. Isso com 23 anos de idade!
E pra terminar bem o dia teve ocaso de um rapaz de 19 anos, que estava desempregado a 10 meses porque segundo ele, os empregos que tinha arrumado pagavam pouco, então compensava mais ele ficar em casa. Pode uma coisa dessa?
Se eu estivesse precisando trabalhar mesmo, buscando oportunidade, eu trabalharia até de graça, faria um estágio, mostraria serviço e depois teria pelo menos no Curriculum uma referência.
E pra quem reclama de dinheiro, vem cá: Precisa de dinheiro pra estudar? Hoje tem Curso de Informática de graça pra todo lado, Sesi, Senai, até instituições federais públicas em Paracatu com Cursos Técnicos, Prouni, PEP chovendo vagas em Paracatu e região...
É por estas e outras que faço uma afirmação que muitos acham polêmica, mas é a verdade! Não existe desemprego.

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