16 set 2009 13h26

Graça Jales fala ao Paracatu.Net

WebReporter
A Vereadora Graça Jales recebeu o Paracatu.Net, e falou um pouco a respeito da sua atuação parlamentar, cultura em Paracatu , questão ambiental e o cenário político da nossa cidade.

CULTURA

"São visíveis os avanços na cultura da cidade, embora nos últimos anos tenhamos descido alguns degraus. A criação da Secretaria de Cultura, onde fui gestora por três oportunidades, a fundação do Museu Histórico, do Arquivo Municipal, a ampliação da Biblioteca Municipal, com certeza são enormes passos rumo ao desenvolvimento cultural que Paracatu merece. No entanto, houve recentemente uma diminuição dos cursos oferecidos pela Casa de Cultura, devido a uma redução de custos da Prefeitura, e aí eu acho que retrocedemos. Ao agir assim, o poder público acaba cerceando as aptidões culturais dos paracatuenses, de modo que grandes talentos, tanto da música, como do teatro, do artesanato, ou qualquer outro setor da cultura, podem estar sendo privados de se aprimorarem e desenvolverem, matando assim, um pouco do potencial cultural do povo da nossa cidade. Entre as grandes dificuldades que enfrentamos durante o tempo em que estivemos na Secretaria de Cultura foi a falta de priorização para a área. Além do orçamento pequeno, a falta de valorização, pois quando é necessário haver algum corte, a Cultura é quase sempre a área mais afetada. Contudo, neste sentido, creio que os governos dos ex-prefeitos Diogo, Manoel Borges e Almir Paraca destacaram-se como gestões comprometidas com a cultura de Paracatu.

A cidade teve uma parte do seu patrimônio cultural dilapidado após a criação de Brasília. Vários arquivos, principalmente do poder judiciário, foram transferidos daqui, e em breve estaremos executando ações para buscá-los de volta, porque acreditamos que os arquivos são parte do patrimônio cultural da cidade, são a memória, a história do nosso povo, portanto, devem permanecer aqui.

É interessante enfatizar também a responsabilidade da população quanto à preservação do nosso patrimônio cultural, e quanto a isso, o paracatuense está de parabéns. Sem o auxílio dos moradores, é impossível a qualquer governo manter intacto o nosso patrimônio, e as pessoas estão sim, cuidado muito bem da história de Paracatu."

POLÍTICA

"Na Câmara Municipal, temos uma legislatura bastante atuante, ao meu ver. Vejo com bons olhos o fato de termos na Câmara representantes de vários segmentos da sociedade. O que precisa mudar um pouco é a forma que a população enxerga o legislativo. Muitas pessoas nos procuram pedindo para construir casas, asfaltar ruas, ou coisas do gênero. É preciso que se entenda que os vereadores não têm o poder de executar, realizar obras, e sim de fiscalizar o Poder Executivo, e propor ações. Quanto ao nosso mandato, orgulho-me de ter a coragem de defender o interesse coletivo, ao invés do interesse pessoal. Sinto-me segura e tranquila com minha posição de total independência, onde meu partido, o PSB, me confere amplos poderes para tomar a posição que eu achar mais correta, considerando, como sempre os interesses da população. Se vier algo favorável para o povo, não tenho problema em votar com a bancada do prefeito. Se for algo que favoreça apenas algum interesse pessoal ou político, voto contra. Eu não tenho medo de represálias e não acredito nisso. Também não colocaria a minha posição de representante do povo a serviço de qualquer interesse que não seja o do próprio povo, em troca de quaisquer benefícios pessoais. Minha responsabilidade como única mulher na atual legislatura aumenta, e talvez exatamente devido à corrupção é que a mulher não tenha ânimo para a política. Em sua natureza, a mulher, que é determinada, idealista e tem garra, não aceita isso de se corromper. Por isso a quantidade de homens na política é bem maior.

Com relação à PEC dos Vereadores, eu me posiciono contrária. No meu ponto de vista, é injusta essa situação. Muitas pessoas deixaram de se candidatar nas últimas eleições devido ao número de cargos, apenas 10, e muitas dessas pessoas tinham potencial para se eleger, caso este número fosse acrescido. Por isso, não acredito que esta emenda venha de fato a ser aprovada.

Quanto ao governo do Prefeito Vasco Praça Filho, vejo que tem feito grandes investimentos principalmente nas áreas de saúde e infra-estrutura. Ele embelezou a cidade, e trouxe grandes avanços no campo da saúde, assim como em outros campos. Mas acho que poderia investir bem mais, principalmente no setor agrícola, que é um dos maiores potenciais econômicos de Paracatu. Nesta área, a ação da Prefeitura tem sido mínima, quase nenhuma, para falar a verdade. Além disso, o governo perdeu muito ao se ater demais à sua cúpula. Criou-se um esteriótipo diante do aumento de seu próprio salário e dos salários de seus secretários, e isso é muito ruim, embora em seguida ele tenha promovido várias exonerações, inclusive dos próprios secretários. Para mim isso é uma prova da dificuldade administrativa que o prefeito encontra, devido ao inchaço da máquina gerado por ele mesmo. Se tivesse um planejamento correto, não precisaria chegar ao ponto de exoneração em massa, como foi feito. O erro é evidente. A arrecadação de Paracatu é bem maior do que a de cidades vizinhas, mesmo com a crise econômica que se finda neste momento. No entanto, os avanços, principalmente nos setores cultural e agrícola são muito pequenos em comparação com o desenvolvimento das nossas vizinhas."

QUESTÃO AMBIENTAL

"No que se refere à questão ambiental, estamos aguardando a avaliação que está sendo feita pela Prefeitura quanto à atuação da Kinross. A empresa é muito importante para a nossa cidade, sem sombra de dúvidas, mas as contrapartidas precisam ser fiscalizadas e executadas com efetividade. O que temos até o presente momento é um parecer da COPASA afirmando que as águas (referentes ao Projeto Lei das Águas do vereador Romualdo Ulhoa) nunca estiveram nos planos para abastecimento da cidade. Afora isso, se a Kinross deixasse Paracatu, como era especulado caso não fosse possível a construção dessa nova barragem, seríamos vítimas de uma invasão em massa de garimpeiros, como aconteceu no passado. Eu ainda acredito que a Kinross é uma empresa séria, que tem buscado o diálogo, mas seguirei batendo na tecla das contrapartidas, principalmente na área da cultura. No entanto, preciso inteirar-me mais da situação em geral, verificar pareceres de especialistas, para poder emitir uma opinião mais concreta a respeito do assunto."

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