17 mar 2010 21h01

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João Paulo Rabelo (http://twitter.com/joaopaulorabelo)
Qual o bomba de hoje? Bem, hoje o Jornal Hoje abriu o jornal com uma imagem da qual a audiência dificilmente escaparia: um filho sendo tirado à força dos braços da mãe pela Guarda Municipal, por determinação da justiça.

A mãe é acusada de forçar o filho a pedir esmolas. A criança, de um ano e dois meses, foi levada para um abrigo após a separação.

Gritos, lágrimas, pranto e muito, muito drama. Minha mãe virou estátua em frente à TV para prestar atenção à novela (da vida real).

Não quero discutir o assunto da notícia. Quero refletir sobre a sua recepção: casos de família, dramas pessoais, crimes, sangue, mortes.

Quando vemos casos chocantes assim na mídia – em poucos meses de 2010 já foram tantos! – a catarse é inevitável. Provoca-se uma liberação enorme de sentidos e emoções, fazendo-nos berrar: que absurdo!

E é mesmo. Os problemas de lá são tão grandes se comparados com os nossos (microscópicos) problemas do dia a dia, né?

Sim, são mesmo. Meus problemas não chegam nem perto aos vividos pelos personagens das notícias de José Luiz Datena, tampouco das pessoas que contam suas histórias ao final de Viver a Vida (sim, eu já vi e, sim, confesso: houve catarse).

Mas não é porque meus problemas são bem menores, bem menores mesmo, que os das catástrofes humanas e naturais da TV, que eu devo ignorar os meus dramas pessoais.

Sei lá, às vezes acho que esse bombardeio de informações sanguinolentas incentiva certo conformismo em algumas pessoas, como se pensassem “Não preciso preocupar com a minha vida, já que ela é perfeita se comparada com o resto do mundo”.

Será? Vamos relativizar nossos problemas. Mas não nos esqueçamos deles.
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